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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Eleições municipais 2020: o dia seguinte do ‘diferente de tudo que está aí’

Equipe BR Político

Por Mauricio Moura*

O conhecido filósofo grego Aristóteles certa vez disse: “A democracia surgiu quando, devido ao fato de que todos são iguais em certo sentido, acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si”. Na última década, o mundo ocidental democrático experimentou um esgotamento de representatividade dos partidos tradicionais e uma ascensão dos “não políticos” (“outsiders”) embalados pela narrativa de “que somos diferentes de tudo que está aí”. Exemplos não faltam: o Movimento Cinco Estrelas na Itália, o Podemos e Ciudadanos na Espanha, o AfD na Alemanha, o En Marché na França, o partido do Brexit no Reino Unido, o próprio presidente americano Donald Trump e recentemente a eleição de um comediante para presidente na Ucrania. No Brasil, a inesperada vitória de Jair Bolsonaro adicionou o nosso país ao mapa da “desconstrução” do sistema partidário vigente. Todavia, já estamos entrando na ressaca dessa narrativa disruptiva. O que significa isso? E o que podemos esperar para as eleições brasileiras municipais de 2020?

As dificuldades inerentes de governar estão catapultando diversos “partidos/movimentos novos” para a posição nada confortável de fazer parte do “sistema”. Ao ganharem votos e consequentemente responsabilidades administrativas fica muito mais difícil pregar “que está tudo errado” e somos diferentes. O dia seguinte é mais complexo e não faltam dados eleitorais e índices de popularidade medíocres que comprovam tal tendência.

Na Espanha, o Podemos enfrenta muita mais resistência eleitoral. O presidente francês Emmanuel Macron patina nos índices de popularidade e ainda sofreu forte derrota eleitoral nas eleições européias. Nos Estados Unidos, apesar de favorito para seguir na Casa Branca, Donald Trump tem uma das piores avaliações da história presidencial.

Já a Grécia, que promoveu eleições nacionais no início de julho, é um importante caso do “dia seguinte”. O partido Syriza, que havia vencido os partidos estabelecidos no auge da crise econômica grega, perdeu e entregou o poder a um representante da centro direita grega: Kyriakos Mitsokis (do Nova Democracia). A vitória foi baseada no posicionamento clássico da centro-direita: criar ambiente de negócios mais favorável e uma agenda de privatizações e corte de impostos. No entanto, o mais interessante foi perceber pelas pesquisas de opinião gregas que o Syriza (esquerda “diferente de tudo que está aí” na sua concepção) passou, no imaginário do eleitorado, a ser um representante da centro esquerda tradicional. Muitos especialistas gregos dizem que o país retornou ao sistema bi-partidário mas com o partido de Alex Tsipras (primeiro ministro derrotado) ocupando mais o centro. O que significa isso na prática? O eleitorado depois de eleger “o diferente de tudo que está aí” quer políticos que resolvam os problemas de maneira eficiente.

Nas pesquisas quantitativas e qualitativas do IDEIA Big Data de 2019, e já mirando as eleições de 2020, temos perguntado o que eleitor espera dos futuros(as) prefeitos(as). As respostas vão além de atributos como “honestidade”, “sem escândalos” ou “fora da Lava Jato”. Todos esses muito presentes em 2018. Em 2020, não vai bastar dizer que “é diferente de tudo que está aí”. Os(as) candidatos(as) terão, de além de mostrar que são honestos, também são capazes de administrar e resolver os problemas do dia-a-dia das cidades. Palavras como “experiência”, “bom gestor(a)” surgem muito mais nas pesquisas.

Se Aristóteles fosse vivo diria: nada deixa os políticos tão absolutamente iguais entre si do que ser governo.

*É economista, PhD em Economia e Política do Setor Público. Maurício é professor visitante na George Washington University e recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.

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