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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Eleições no Reino Unido, previsão de chuvas e trovoadas

Equipe BR Político

Por Maurício Moura*

O famoso filósofo grego Sócrates dizia com maestria: “Esperas a tarde para saberes como será o dia”. A exuberante vitória do Partido Conservador (a maior desde os tempos de Margaret Thatcher) pode, perante o olhar mais precipitado, dar margem a inúmeras interpretações prematuras e de pouca generalização global. Os pilares da vitória de Boris Johnson passam longe, por exemplo, de acreditar que a “extrema direita” se beneficia com a polarização ou que a maioria da população é amplamente a favor do Brexit ou contra a globalização. “Not at all” (como diriam os ingleses).

Primeiro, é possível afirmar, com análise cuidadosa dos números e da campanha, que, antes de tudo, foi uma derrota histórica do Labor (partido dos trabalhadores britânicos). Os “tories” (conservadores) conseguiram 43,6% dos votos (apenas 1 ponto porcentual superior a 2017) mas, em contrapartida, o partido do líder de oposição, Jeremy Corbyn, perdeu oito pontos porcentuais. Fracassou a postura radical de Corbyn que pregou um socialismo atrasado e a falta de um posicionamento simples e objetivo sobre o Brexit. Antigas zonas industriais e de mineração do Norte e do Centro da Inglaterra deixarem de ser Labor para virar democratas. Vale uma excelente reflexão do partido sobre as derrotas nesses territórios.

Sobre o Brexit, a mensagem conservadora era direta: “Get Brexit done” (vamos executar o Brexit). Com isso, o partido ganhou 6 pontos porcentuais entre os apoiadores da União Europeia. E foi nesse segmento que o partido de Corbyn perdeu mais (10 pontos percentuais).

Tal significa um cheque em branco para o primeiro-ministro para o Brexit? Não, necessariamente, e talvez aí resida o caos político por vir. Várias pesquisas mostram que os eleitores ainda têm pouca compreensão do que o Brexit significa na prática. Todavia, muitos foram movidos pelo pensamento de que é melhor resolver algo do que não resolver nada. Além disso, o partido SNP (Partido Nacionalista Escocês) cresceu e vai lutar por um novo referendo sobre a independência. Um choque constitucional com nuances de Catalunha se mostra possível no Reino Unido.

Portanto, que os conservadores tenham a humildade para compreender o resultado e conduzir o Brexit como a prudência que esse processo demanda. O dia parece de sol, mas a tarde em Londres será de chuvas e trovoadas.

*É economista, PhD em economia e política do setor público, e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. É fundador e presidente do Ideia Big Data.