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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Era uma vez em Novembro… a ‘Dor e Glória’ dos Democratas

Equipe BR Político

Por Maurício Moura*

No último domingo, 9, em Los Angeles, o mundo assistiu ao evento mais esperado da indústria cinematográfica: a entrega do Oscar. Inúmeros filmes de altíssima qualidade foram premiados: o sul-coreano “Parasita”; “Coringa”;“1917”; “A História de um casamento”; “O Irlandês”, “Adoráveis Mulheres”, “Era uma vez em Hollywood”, “Dor e Glória”, “Dois Papas”, “Um Lindo Dia na Vizinhança” e “Ford x Ferrari”. Em paralelo, os Estados Unidos testemunharam o caos das primárias presidenciais do partido Democrata. Iowa e New Hampshire abrem os Estados que ajudarão a escolher o adversário do presidente Donald Trump em novembro. Aproveitando o ensejo do Oscar, podemos chegar a algumas conclusões sobre o pleito do partido de oposição ao atual governo federal americano. E tais não merecem um Oscar de otimismo.

A disputa inicial em Iowa nos trouxe alguns sinais e um roteiro similar a “História de um casamento”: começou com grande expectativa e terminou com grandes frustrações. O primeiro sinal foi o vexame do partido na apuração dos resultados. Por um problema em um aplicativo de transmissão dos dados das zonas eleitorais para a central do partido, os resultados somente foram conhecidos três dias depois da votação. Um desastre reputacional que gerou grande desconforto e uma ironia do presidente Trump em dos seus tuítes. Outro sinal de Iowa foi o comparecimento abaixo das expectativas democratas (houve 180 mil comparecimentos contra aproximadamente 176 mil de 2016 – ano que havia somente dois candidatos fortes no lado democrata). Na prática, isso mostra que uma eventual onda antitrump não se mostra forte. Definitivamente, o dia da primária de Iowa não foi “Um Lindo Dia na Vizinhança”.

Iowa e New Hampshire mostram que dois candidatos parecem ser os “Dois Papas” da disputa até o momento. Um mais “radical”, o senador por Vermont, Bernie Sanders, e um outro mais “moderado”, o ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg. Todas as pesquisas nacionais mostram ainda uma grande vantagem de Bernie Sanders para as próximas disputas: Nevada, South Carolina, Califórnia e Texas. Por outro lado, o ex-vice presidente Joe Biden vive entre “Dor e a Glória”: apesar de ainda estar bem posicionado nas pesquisas nacionais, seu desempenho nos Estados iniciais só trouxe dor e dúvida sobre sua viabilidade. Os dias de glória parecem longe para Biden.

As “Adoráveis Mulheres”, as senadoras Elizabeth Wareen e Amy Klobuchar, também começam a entrar na rota de verem suas candidaturas naufragarem. Para as próximas primárias, um candidato “Coringa” que não se apresentou em Iowa e New Hampshire promete aquecer a disputa democrata: o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. O mesmo já atinge 10 pontos porcentuais na média das pesquisas nacionais, que o coloca em terceiro ou quarto lugar a depender da sondagem. Uma evolução numérica incrível e que abre espaço para uma nova dinâmica na disputa e que pode ameaçar a liderança de Bernie Sanders e Pete Buttigieg. A campanha do bilionário já gastou US$ 300 milhões com propaganda digital, rádio e TV.

Donald Trump, que em 2016 era o Ford contra a Ferrari de Hillary Clinton, nunca foi tão favorito. Sua aprovação como presidente atingiu 49% (maior nível da sua gestão) e a arrecadação de sua campanha já beira os US$ 250 milhões – um recorde para um presidente em exercício buscando reeleição). A perspectiva de vitória em Estados críticos como Ohio, Flórida, Michigan, Wisconsin, Pennsylvania, Colorado, Indiana, North Carolina e Arizona segue firme.

Portanto, se o partido democrata quiser vencer o “Irlandês”, Trump, vai precisar mudar muito e, nessa altura, contar com uma boa dose de sorte. A batalha será mais dura que a de “1917”. Caso contrário, uma vitória democrata na eleição geral será apenas uma peça de ficção ou um “Era uma vez em Hollywood… ou Era uma vez em Iowa.

*É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e presidente do Ideia Big Data.