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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Na reputação e no meio ambiente, manchas são difíceis de remover

Equipe BR Político

Por Cila Schulman*

Meio ambiente é uma pauta que tem a capacidade de influenciar a agenda da sociedade ainda que não tenha potencial para derrubar ou impulsionar a popularidade de um governo. Exemplos são os protestos do final de setembro, que reuniram mais de 5 milhões de pessoas, em todo o mundo, na greve climática batizada de Semana Global do Futuro. Ou a terceira prisão em seguida da atriz Jane Fonda, que se inspira numa menina 65 anos mais nova do que ela, a sueca Greta Thunberg, em seus protestos de sexta-feira. Fonda, de 81 anos, mudou-se para Washington DC com o objetivo de ser presa 14 vezes para chamar a atenção. O plano tem dado certo, com a viralização de fotos dela com as mãos algemadas e a língua para fora contra o aquecimento global.

Em geral tópico dos mais jovens, meio ambiente vira assunto de todo mundo quando (a favor ou contra) atinge o bolso, esse sim elemento prioritário nas decisões eleitorais. Que o digam governantes de países desenvolvidos como o Canadá, onde o premier Justin Trudeau sofreu na reeleição com a decisão de taxar emissões de carbono, ou a França, onde o presidente Emmanuel Macron enfrenta os “coletes amarelos” numa reação que inclui a taxação dos combustíveis fósseis. No legislativo, a temática parece que tem ajudado quem a defende; tome-se o caso dos partidos verdes que tiveram recentemente a sua maior vitória ao conquistarem 67 cadeiras no Parlamento Europeu, 15 a mais do
que na legislatura anterior.

O tema também torna-se central quando chega a hora de apontar responsabilidades. Nem as fontes oficiais sabem o que causou os vazamentos de óleo, todavia 59% da população sabe a quem responsabilizar pela limpeza das praias: é o governo federal. Em pesquisa feita pelo Ideia Big Data nos dias 22 e 23 de outubro, com 1.512 pessoas, 60% também disseram acreditar que a ação do governo no caso dos vazamentos tem se mostrado ineficiente. Quem mais reprova a atitude do governo são mulheres (62%), eleitores acima de 50 anos (67%), da Região Sudeste (62%), de maior renda (73%) e de maior escolaridade (71%). Por essa e por outras, o governo já mandou o Exército para os locais, não apenas para ajudar na limpeza, como para mostrar à opinião pública que está atuando.

Outra questão é que para a maioria da população (70%), tão importante quanto conter os efeitos do vazamento, é identificar e punir os responsáveis. Até aqui, existem apenas hipóteses. Uma delas é que a origem seja um naufrágio. Como nada foi comunicado, poderia ser o naufrágio de um “dark ship” – navio clandestino com carga irregular. Ou resultado de um acidente causado em uma operação “ship to ship”, quando uma carga é transferida de embarcação em alto mar. As hipóteses se transformam em teorias da conspiração quando o derramamento vira de esquerda ou de direita, seja por ter sido causado por uma artimanha da Venezuela para escapar do embargo a seu petróleo através de uso de “darkship” ou de “ship to ship”, seja por ter sido propositalmente enviado ao nosso litoral pelo ditador Nicolás Maduro, seja por que teria sido feito de forma intencional por um navio do Greenpeace (fato já desmentido por diversas agência de checagem).

O porém é que enquanto essas teorias têm alta aderência em nichos de apoiadores e alimentam os debates nos grupos da família, a imagem do Brasil – e as nossas águas – podem estar sendo manchadas para sempre.

É jornalista com especialização em gestão política pela George Washington University e professora convidada de cursos de formação política. Trabalha com políticas públicas e campanhas eleitorais desde os anos 1980. É vice-presidente do IDEIA Big Data.