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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Na vida pós-pandemia, confiança é tudo

Equipe BR Político

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Por Maurício Moura*

A Copa do Mundo dos Estados Unidos de 1994 terminou com um chute para fora do italiano Roberto Baggio na disputa final de penalidades entre Brasil e Itália. Todos lembramos dessa cena e do narrador Galvão Bueno gritando: “É tetra, é tetra”. O que poucos sabem é que um dos batedores de pênalti da final não tinha treinado uma cobrança sequer durante todos os treinamentos do Brasil na Copa. E mesmo sem treinar nada antes, foi lá pegou a bola, bateu e fez o gol. O autor dessa heróica façanha foi Romário. Quando acabou a prorrogação, o artilheiro olhou para o técnico Carlos Alberto Parreira e disse: “Tô confiante para bater”. Naquele momento de exaustão mental e física, a confiança era fundamental. E confiança será a variável chave da volta ao “novo normal” na vida pós-corona.

A essa altura a maioria da opinião pública já compreendeu que o problema não é o distanciamento social ou a quarentena, o problema é o vírus. E será a dinâmica de controle do vírus que vai determinar o ritmo da volta. Ou seja, não será um decreto político de reabertura do comércio que fará as pessoas voltarem a consumir ou frequentar restaurantes. Além disso, a percepção coletiva já se conscientizou que não haverá volta ao que era antes. O retorno será pautado por uma “nova realidade”.

Nesse sentido, os dados recentes mostram que a confiança das pessoas está bastante abalada com as mortes e disseminação do vírus. O Ideia Big Data realizou uma pesquisa telefônica com amostra nacional de 1.667 pessoas na última semana de abril. A pesquisa apontou que 32% dos brasileiros voltariam a frequentar igrejas na mesma semana que voltarem os cultos. Todavia, 22% esperariam um mês para voltar. E esse é o item que apresentou a volta mais rápida segundo o levantamento.

Em segundo lugar veio salão de beleza/barbearias. Para os respondentes, 24% voltariam a cuidar de estética no primeiro momento de reabertura contra 26% que esperariam 30 dias. Somente 15% voltariam a bares e restaurantes na primeira semana. A pesquisa mostra um grau de desconfiança enorme das pessoas sobre a segurança da volta.

Nos Estados Unidos, uma pesquisa do Washington Post trouxe números consistentes com falta de confiança brasileira. Quando perguntados se hoje estão confortáveis em voltar a frequentar restaurantes, 78% responderam que não. No caso de shoppings centers, 64% se sentem desconfortáveis. O medo é um sentimento universal diante de um problema global.

Portanto, a volta vai exigir estabelecer a confiança das pessoas para exercitar os hábitos mais básicos da rotina. Essa reconstrução será longa e vai depender das curvas de contaminação do vírus. Fundamental aceitarmos que essa é nova realidade. Na vida, assim como na hora de bater pênalti em final de Copa Mundo, o que vale é a confiança.

*É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e presidente do IDEIA Big Data.

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