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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Novembro será uma ‘caixinha de surpresas’ nas presidenciais americanas

Equipe BR Político

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Por Maurício Moura*

“Futebol é uma caixinha de surpresas” é uma das expressões mais usadas no folclore do esporte bretão. O inventor dessa expressão foi o comentarista Benjamin Wright, pai do ex-árbitro José Roberto Wright. No filme lendário filme Forrest Gump estrelado por Tom Hanks, o protagonista diz que a vida é “como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar”. Caixinha de surpresas ou de chocolates, assim serão as eleições presidenciais americanas em plena pandemia: cheias de surpresas.

Pré-pandemia, o presidente Donald Trump era franco favorito. A combinação de crescimento econômico, desemprego baixo e grande mobilização financeira para sua campanha o colocavam em grande vantagem perante um concorrente democrata. Aí veio o coronavírus e tornou tudo imprevisível.

Do lado positivo para o atual ocupante da Casa Branca, suas aparições diárias em rede nacional para falar da crise são um grande ativo para falar diretamente com os eleitores e sustentar sua narrativa de campanha. Todavia, os Estados Unidos são o país que mais sofrem com casos e mortes pela covid-19 e a reação do governo federal tem sido fortemente questionada.

Diante disso, a popularidade de Donald Trump segue nos níveis pré coronavírus (aproximadamente 45% de aprovação e 51% de reprovação). Essa estabilidade de avaliação da opinião pública difere da maioria dos líderes mundiais que ganharam protagonismo e popularidade com a pandemia.  

As pesquisas nacionais colocam o candidato democrata Joe Biden à frente do presidente. Todavia, como sabemos, a eleição americana é decidida pelo colégio eleitoral (Estado a estado), e nos Estados decisivos a situação de Trump ainda é mais favorável.  

As incertezas começam com o fato de nenhum especialista saber como realmente será a campanha (ou se haverá campanha em alguns Estados fortemente afetados). As convenções partidárias devem ser virtuais, os comícios dificilmente reunirão multidões (se acontecerem) e o porta a porta (parte integrante de eleições americanas) está fortemente prejudicado. A campanha deve se resumir essencialmente ao ambiente digital, e os debates televisivos devem ganhar um peso adicional. As consequências desse novo formato são imprevisíveis. 

Para piorar, o voto nos Estados Unidos não é obrigatório, e será um exercício complexo prever o comparecimento dos eleitores em novembro diante da pandemia. Também será extremamente difícil antecipar como o voto pelo correio (possível em 33 dos 50 Estados) vai se comportar. Ou seja, não se assustem se as urnas apresentarem resultados muito diferentes das pesquisas. 

Portanto, diante da covid-19, ninguém sabe como será a campanha americana e ninguém sabe quem vai sair para votar. O que se sabe é que o até novembro teremos várias caixinhas de chocolate de surpresas. Uma eleição que entraria fácil nas histórias de Forrest Gump.

*É economista, PhD em economia e política do setor público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. É fundador e presidente do IDEIA Big Data.