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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: O poder de imaginar algo melhor para a educação

Equipe BR Político

Por Cila Schulman*

“São nossas escolhas, Harry, que mostram o que realmente somos, muito mais do que nossas habilidades”. O conselho do diretor da Escola de Magia e Feitiçaria de Gryffindor, Albus Dumbledore, para o jovem bruxo, no livro Harry Potter e a Câmara Secreta, se adaptaria facilmente ao sucesso de um governo frente aos seus cidadãos. “São as escolhas de agenda que determinam o avanço das políticas públicas, muito mais do que outras habilidades”, se diria.

No Brasil, infelizmente, a educação não é protagonista nem da agenda de governos nem da de campanhas eleitorais. O resultado (ou a falta de resultado) pode ser visto através do Anuário do Plano Nacional de Educação (PNE), divulgado no último dia 25 pelo movimento Todos Pela Educação. Lançado há cinco anos, o PNE – um conjunto de 20 metas da primeira infância à universidade – pouco avançou. Segundo o monitoramento, 29% da população brasileira entre 15 a 64 anos pode ser considerada analfabeta funcional. Cerca de quatro em cada dez professores que davam aula para os anos finais do ensino fundamental (entre o 6.º e o 9.º ano) não tinham, em 2018, formação adequada para o que ensinavam. E por aí vai.

Em maio, na sequência dos protestos que levaram multidões às ruas contra um contingenciamento de verbas no setor, fizemos uma pesquisa para o BR18 que mostra que não é essa a percepção da maioria da sociedade. De acordo levantamento feito pelo telefone, 58% dos entrevistados concordaram com a mobilização, contra 48% que discordaram.

Além disso, o IDEIA também fez uma análise nas redes sociais do mesmo movimento e as manifestações no ambiente online renderam 767.794 compartilhamentos de hashtags favoráveis à educação. A mais representativa foi a hashtag #TsunamiDaEducação.

A pesquisa e a análise nas redes sociais mostram o quanto as pessoas estão informadas sobre as necessidades urgentes da educação em nosso País. Falta apenas que as nossas lideranças, em conjunto com a sociedade, considerem colocar o tema de uma vez por todas no centro do debate. E nem precisa de magia ou feitiçaria, apenas de vontade. Como diz, novamente, a autora de Harry Potter, J.K. Rollling, “nós não precisamos de magia para mudar o mundo, nós já temos todo o poder necessário dentro de nós mesmos: o poder de imaginar algo melhor”.

*É jornalista com especialização em Gestão Política pela George Washington University. É professora convidada de cursos de formação política. Trabalha com políticas públicas e campanhas eleitorais desde os anos 80. É vice-presidente do IDEIA Big Data.

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