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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Precisamos falar das mulheres na política, no futebol, no trabalho e em qualquer lugar

Equipe BR Político

Por Cila Schulman

Na França começou a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Diversas seleções  duelarão para levar o troféu de campeãs mundiais. Mas é o time feminino de futebol dos Estados Unidos que entra em campo por uma batalha mais duradoura: a equidade salarial entre mulheres e homens pela Federação Americana de Futebol.

Nos EUA, os homens ganham muito mais e nem de longe têm o mesmo sucesso internacional das mulheres, que são tricampeãs mundiais de futebol. A capitã do time, Carli Lloyd, resumiu no jornal The New York Times: Não podemos corrigir todos os erros do mundo, mas estamos decididas a corrigir a injustiça em nossa área, não apenas por nós mesmas, mas também pelas jogadoras jovens que vão nos seguir e por nossas irmãs, jogadoras de futebol pelo mundo afora”.

E as mulheres no Brasil?  A depender de recente levantamento, ainda perdemos de goleada. Em pesquisa do grupo, com 1.472 pessoas, entre 18 e 59 anos, no Sudeste do Brasil, em março, percebemos o quanto a manutenção dos estereótipos de cuidados com a casa e os filhos ainda recai mais sobre elas do que sobre eles. O levantamento incluiu um estudo de antropologia digital, no qual notamos que tudo mudou mas tudo continua igual. Ou seja, seguimos no 0 a 0 nesse quesito.

Segundos os resultados, ter filhos impacta a carreira de ambos, mas é superior na delas. Veja os números: 13.7% das mulheres sentiram medo de dizer ao chefe que teriam um filho, contra 1.7% dos homens. Para eles (36.3%), a notícia foi dada com alegria, contra 13.7% delas.  Também 55.6% delas deram uma pausa na carreira ou pararam de trabalhar após a maternidade. O motivo principal: 25,6% não tinham com quem deixar o filho. Os cuidados médicos dos filhos recaem sobre 79,4% das mães contra 19,4% dos pais. Entre os que tiveram que se ausentar ou se atrasar para o trabalho, 35,7% das mães ficaram muito desconfortáveis, contra 25% dos pais. Além disso, 13,4% das mães dizem concordar muito com a afirmação “Após o nascimento do meu filho, fui desconsiderado (a) para uma promoção no trabalho”, contra 5.7% dos pais. Um verdadeiro drible na igualdade do mercado de trabalho.

Na política, flertamos com o rebaixamento. O Brasil está em 156.º lugar no ranking da presença de mulheres na política, diz a União Interparlamentar Internacional. As medidas eleitorais brasileiras para aumentar a participação feminina geraram em alguns casos mais laranjas que frutos, apesar dos avanços. Portanto, temos muito por fazer: por nós e pelas futuras gerações, como diz a jogadora americana. É por isso que precisamos falar mais sobre as mulheres na política, no mercado de trabalho e em qualquer lugar. Passou da hora de tirarmos essas estatísticas da marca penal.

Jornalista com especialização em Gestão Política pela George Washington University. É professora convidada de cursos de formação política. Trabalha com políticas públicas e campanhas eleitorais desde os anos 80. É Vice-Presidente do IDEIA Big Data