por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Primária é primária, mas economia é economia

Equipe BR Político

Por Mauricio Moura*

O grande ex-jogador de futebol brasileiro Didi (do Botafogo e da seleção brasileira das Copas de 58 e 62) não costumava dar tudo de si nos treinamentos e justificava: “Treino é treino, jogo é jogo”. Os resultados das primárias realizadas na Argentina no último domingo, 11, foram substantivos: o presidente teve aproximadamente 15 pontos porcentuais a menos que a chapa “kirchnerista” de Alberto e Cristina (cerca de 47% a 32% segundo últimos dados de apuração). Isso representa uma sinalização muito concreta que a reeleição do presidente Macri será muito difícil e que as chances de uma derrota no primeiro turno são concretas. Além disso, segundo diversas pesquisas de opinião, a economia será protagonista dessa dificuldade. Nesse contexto, as estratégias das duas principais campanhas certamente terão o estado econômico do país como tema central para convencer os eleitores.

E aqui vale uma história de eleições presidenciais americanas de 1980. Naquele ano, o ex-governador da Califórnia e ex-ator Ronald Reagan, do Partido Republicano, disputava a Casa Branca contra o democrata, e presidente na época, Jimmy Carter. No primeiro debate entre ambos, Reagan abriu a noite olhando para a câmera e dizendo algo como: “Quero falar algo muito importante para vocês: se vocês acham que a vida de vocês melhorou nos últimos 4 anos, vocês podem votar no candidato democrata. Agora, se vocês acham que a sua vida está pior com menos emprego e mais inflação, a opção sou eu”. Numa época de dificuldades econômicas nos Estados Unidos, esse argumento sintetizou a razão da derrota de Jimmy Carter. Simples, direto e eficiente.

E a mesma história se aplica para a Argentina de 2019. Do lado da oposição portenha, o argumento principal claramente será simples: se você acha que a economia piorou nos últimos 4 anos, nós somos a opção para fazer algo diferente. E não será complexo fazer esse argumento. Muito pelo contrário. A inflação segue sendo um problema, o peso continua se desvalorizando e de agora em diante o mercado vai precificar uma eventual derrota do presidente Macri (o que significa mais volatilidade e mais desvalorização do peso).

Do lado do governo, acredito que a narrativa vai mudar depois das primárias. O que seria uma campanha essencialmente para apresentar realizações e avanços desde 2015 (e houve muitos), passará a ser uma campanha de medo para “evitar o desastre maior” de ter Cristina e seu grupo político de volta. Ou seja, uma campanha para o que o medo do “kirchnerismo” seja maior que a sensação de que a economia não melhorou. Algo muito difícil de executar se analisarmos o histórico mundial de reeleições em países democráticos. Todavia, é o único caminho possível considerando a rejeição de Cristina.

Dito isso, as primárias são uma oportunidade para ter uma leitura do eleitorado bem apurada e se preparar para o jogo que realmente vale: as eleições de outubro e novembro. Se o ex-craque Didi fosse comentarista político argentino, certamente, diria: primária é primária, eleição é eleição. E aqui vale uma máxima: dói no bolso, dói na urna. E, nas reeleições presidenciais em qualquer lugar, economia é economia.

*É economista, PhD em Economia e Política do Setor Público e professor visitante na George Washington University. Recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.

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