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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Opinião Ideia Big Data: Problema global, solução local

Equipe BR Político

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Por Maurício Moura

O ex-beatle e lenda da música, John Lennon disse uma vez sobre ativismo e cidadania: “Pense globalmente e atue localmente”. Essa frase se aplica muito ao atual cenário sombrio da humanidade de covid-19. Temos uma pandemia global que afeta a vida local de uma maneira sem precedentes: pessoas obrigadas a ficar em casa, comércio fechado, hospitais lotados e uma enorme incerteza sobre o futuro. Nesse contexto, as lideranças locais que encaram os problemas com enorme proximidade ganham um protagonismo incomparável historicamente.

Não há como negar que os chefes de Estado ganharam popularidade depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar a pandemia mundial. A maioria absoluta optou por discursos unificadores, baseado nos protocolos da ciência e muito focado no isolamento social. O resultado geral foi um salto de popularidade coletivo da Austrália aos Estados Unidos passando pela Europa e África (alguns chegaram a dobrar os índices de popularidade).

Todavia, um dos maiores legados do coronavírus no imaginário da opinião pública pode ser a ascensão das lideranças locais. Muitos saíram da quase invisibilidade para o estrelato mundial. Exemplos não faltam. O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, de mero desconhecido nacionalmente, passou a ser uma estrela com aspirações presidenciais. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, passou a ser o rosto da resistência italiana contra o vírus. As falas do Prefeito Sala rodaram o mundo como argumento da importância do isolamento.

No Brasil, os governadores gozaram de ganhos de popularidade raramente vistos nas séries históricas de avaliação de governo. Diversas pesquisas de opinião corroboraram a mesma tendência: muitos governadores passaram a ser melhor avaliados que a Presidência da República. No caso de São Paulo e Rio de Janeiro, essa diferença atinge aproximadamente 20 pontos percentuais.

Porém, não foram somente os governadores que fortaleceram suas imagens. Centenas de prefeitos e prefeitas espalhadas pelo País têm ganhado destaque e melhorado suas avaliações. Antes da crise do coronavírus, a avaliação geral da população sobre a gestão das prefeituras era muito ruim. Poucos prefeitos de capitais, por exemplo, tinham um nível de aprovação maior que desaprovação. Isso deve mudar e ouso estimar que a crise oferecerá uma enorme janela de oportunidade para reeleição de muitos(as).

Portanto, nunca uma crise global desafiou tanto os gestores locais. A atuação estadual e municipal será decisiva para salvar vidas e o povo percebe isso já. No futuro próximo, pós-corona, as lideranças e o poder local ganharão importância e musculatura. Esses dias de vírus serão lembrados como “Yesterday” (Ontem) and “Help” (Ajuda) mas também abrirão a reflexão para um “Imagine” (Imagine) de um futuro melhor. Nesse futuro, para a saúde local, “Let it be” (Deixe ser) não terá mais espaço.

*É economista, PhD em Economia e Política do Setor Público. Maurício é professor visitante na George Washington University e recebeu recentemente certificado do Programa da Owner/President Management da Universidade de Harvard. Fundador e Presidente do IDEIA Big Data.

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