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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Oposição fala em impeachment

Equipe BR Político

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As acusações do ex-ministro Sérgio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tenta interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência levaram vários líderes partidários da oposição na Câmara a pedir o afastamento do chefe do Planalto. O líder da Minoria, deputado José Guimarães (PT-CE), classificou as declarações do ex-titular da Justiça de “demissão-delação”. “Ele (Moro) passou meses e meses calado. De santo, não tem nada! Sua demissão-delação diz muito sobre sua índole parcial, a mesma que condenou Lula sem provas. O projeto de poder do ex-juiz falou mais alto. Agora, mais do que nunca, o #ForaBolsonaro torna-se emergencial”, protestou Guimarães.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Dida Sampaio/Estadão

A líder do PSOL, Fernanda Melchionna (RS), cobrou do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a abertura do processo de impeachment. “Moro fez acusações muito graves contra Bolsonaro. Já há motivos de sobra para um impeachment, como sinalizamos no pedido assinado por 1 milhão de pessoas. Rodrigo Maia precisa receber os pedidos de impeachment urgentemente”, disse a deputada.

A líder do PCdoB, deputada Perpétua Almeida (AC), afirmou que vai encaminhar pedido de convocação de Moro para esclarecer “o conjunto de crimes que presenciou o presidente Bolsonaro cometer”.

Situação

O líder do PSDB, deputado Carlos Sampaio (SP), lamentou a saída de um quadro do governo “de tamanha envergadura moral”. “Sua saída não só é uma perda considerável ao governo e ao País, como pode indicar uma mudança preocupante na condução dos assuntos pertinentes ao Ministério da Justiça. É lamentável que o governo, em um momento de crise como este, perca um aliado de tamanha envergadura moral”, disse Sampaio.

A líder do PSL, deputada Joice Hasselmann (SP), aproveitou para criticar o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente. “Pode demorar quatro anos, mas a máscara dos hipócritas sempre cai. Quem quer controlar a PF, bananinha, é seu pai pra proteger você e seus irmãos dos crimes que cometeram: gabinete do ódio, rachadinha”, afirmou ela.

O líder do MDB, Deputado Baleia Rossi (SP), pediu serenidade. “Qualquer demissão agora é ruim. Sobretudo em pastas bem-avaliadas. Nosso maior inimigo é a pandemia. Temos de salvar vidas. Mais turbulência só prejudica o País. Repito: equilíbrio e serenidade”, escreveu em seus perfis de rede social.

O líder do Podemos, deputado Leo Moraes (RO), escreveu que a saída de Moro do governo é uma “derrota da ética”. “O combate à corrupção está no coração e na alma das aspirações nacionais. A Justiça é uma necessidade humana incontornável e, na sociedade política, deve figurar como prioridade. Sérgio Moro foi um verdadeiro titã. É a derrota da ética”, criticou Moraes.