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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Os fantasmas de Bolsonaro no caso Flávio

Vera Magalhães

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O avanço das investigações no inquérito sobre Fabrício Queiroz, seu amigo de décadas transformado em gerente dos gabinetes dos políticos da família e flagrado pelo Coaf em movimentações bancárias incompatíveis com a sua renda, tem tirado o sono de Jair Bolsonaro e despertado uma característica conhecida do presidente: a paranoia.

Um conjunto de reportagens desta sexta-feira evidencia que o presidente vê perseguição de ex-aliados e até de ministros à sua família como pano de fundo das investigações. A revista Veja traz em sua capa um Bolsonaro de chinelo e shorts, aparentemente à vontade no Palácio da Alvorada. Mas a entrevista com ele e uma segunda reportagem revelam um homem atormentado pelo caso que atinge fortemente seu filho Flávio, e de cuja explosão foi alertado pelo advogado Frederick Wassef já no sábado, dia 14. Na entrevista, ele sustenta que tudo se trata de um plano do governador do Rio, Wilson Witzzel, para aniquilar sua família.

Vai além: texto à parte também da Veja mostra que Bolsonaro enxerga o plano arquitetado por um ex-ministro –que pela descrição do texto seria Gustavo Bebbiano– para assassiná-lo.

Outra reportagem, do portal UOL, mostra que Bolsonaro desconfia que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, estaria de alguma forma mancomunado com Witzel para prejudicar seus filhos e a si. Isso explica o que seria o motor da ideia, que revelei ontem aqui no BRPolítico, de tirar a Polícia Federal da alçada de Moro, separando novamente a Justiça da Segurança Pública.

A História recente do Brasil está recheada de evidências de que mania de perseguição e o temor de inimigos imaginários não costumam ser bons conselheiros para presidentes da República. Jânio Quadros e Fernando Collor caíram muito em parte pelo isolamento a que foram levados pela própria paranoia.