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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Os obstáculos para o namoro Bolsonaro-Centrão

Vera Magalhães

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Jair Bolsonaro passou a cortejar os partidos do chamado Centrão. Chamou líderes desses partidos para conversas diretas, sem intermediários,  no Palácio do Planalto. Acena com cargos para tentar formar algo com que nunca se preocupou até aqui: uma coalizão. Também deseja esvaziar a liderança de Rodrigo Maia junto ao bloco e, com isso, interferir na sucessão para o comando da Câmara, receoso de que o político do DEM comande uma iniciativa para colocar em marcha sem impechment.

Mas há obstáculos de lado a lado que tornam essa aproximação difícil. Da parte do presidente, atrair partidos como PL, PSD e PP para sua órbita, com cargos federais, significa trair mais um discurso de campanha, o da renovação das práticas políticas. Complicaria por demais a vida dos blogueiros e tuiteiros a soldo do Planalto e a de parlamentares da estridente bancada bolsonarista, que sempre justificaram o isolamento do presidente no Congresso como uma decisão consciente para não replicar antigos métodos de coalizão.

A rejeição seria imediata e atingiria a classe média, que já está ressabiada com a demissão de Luiz Mandetta e o comportamento negacionista do presidente em meio à pandemia.

Do lado dos partidos também não é uma escolha fácil sair do guarda-chuva do blocão que se organiza em torno de Maia para negociar com um governo no qual os políticos não confiam. “Bolsonaro atrai os partidos agora, para depois denunciá-los. Não se pode negociar com um autoritário”, disse ao BR Político um dos expoentes do xadrez entre partidos e o Planalto.

Um representante da cúpula do PP foi por caminho semelhante. Disse que existe muito pouca margem de confiança no governo devido a acordos já traídos e a insistência do presidente de descredenciar os partidos, a política e o parlamento.