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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Os riscos de abolir o teto

Equipe BR Político

Em sua coluna no Estadão nesta terça-feira, o economista Pedro Fernando Nery toma a discussão sobre o fim do teto de gastos para mostrar que a ideia, sem que os que a advogam sugiram nada no lugar, representa inflacionismo, uma doença que o Brasil demora a superar. Ele lembra que o teto completou 1.000 dias desde a sua promulgação e foi uma das medidas responsáveis por diminuir o custo-país, mas, a despeito de sua vigência, gastos absurdos com servidores e despesas do Judiciário, por exemplo, continuam crescendo sem controle.

“Apesar do teto, os déficits primários que se iniciaram em 2014 só cessariam em 2024 pela IFI. Quer dizer que os governos ‘rentistas’ de Temer e Bolsonaro não teriam poupado dos tributos um centavo sequer para abater da dívida: o último presidente a não fazer superávit primário em nenhum ano foi Sarney. Sem freio, no limite o Tesouro precisaria do Banco Central para se financiar. A (hiper)inflação seria a maneira de o governo cortar suas despesas em termos reais. Algo como o que ocorre hoje ao sul e ao norte de nossas fronteiras”, escreve o colunista.