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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Os riscos de romper com Alcolumbre

Vera Magalhães

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Davi Alcolumbre foi, ao longo do primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, um porto ao qual o governo poderia recorrer em momentos em que o mar do Congresso ficava turbulento demais, sobretudo na Câmara.

Ele ajudou a segurar a CPI da Lava Toga, que poderia criar problemas com o neoamigo do presidente Dias Toffoli, foi simpático à ideia, depois abortada pelo próprio Jair Bolsonaro, de nomear Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil em Washington, e estava disposto a trabalhar pela indicação, e fez dobradinha com Fernando Bezerra Coelho em vários momentos de tensão para o Executivo na Casa. Era alguém sobre quem Onyx Lorenzoni, sem nenhum trânsito na Câmara de seu correligionário Rodrigo Maia, tinha alguma ascendência.

Pois foi esse aliado, que tem mais um ano à frente do Senado, que as milícias bolsonaristas resolveram desconstruir agora. O blogueiro Allan dos Santos, com canal direto com a Secom e a família presidencial, postou no Twitter um vídeo antigo do presidente do Senado com seu pai, num carnaval, com a legenda segundo a qual o presidente do Senado estaria levando uma “encoxada” de outro homem (que, além da grosseria, ele fez questão de grafar como “encouchada”).

Alcolumbre reagiu indignado, demonstrando que o episódio pode ter deflagrado uma mudança de atitude sua em relação aos constantes ataques bolsonaristas a jornalistas e adversários pelas redes sociais. Não custa lembrar que três propostas de emenda à Constituição tramitam atualmente no Senado. E que a CPMI das fake news é mista, formada por deputados e senadores, para ficar em apenas dois problemas que o governo pode contratar para si pela sanha de seus militantes na internet.

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