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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Otimismo de um lado, pobreza de outro muito maior

Equipe BR Político

Em meio ao otimismo expresso por representantes do governo e do capital com a economia no Brasil, um dado do Banco Mundial passa despercebido pela equipe econômica que apresenta nesta terça, 5, medidas para melhorar o ambiente econômico. A baixa qualidade da educação pública reforça a condição de pobreza da maioria dos brasileiros que só têm no Estado a possibilidade de acesso à aprendizagem, como informa a colunista Ana Carla Abrão, no Estadão. Segundo dados da instituição mostrados por Ana Carla, “de cada 100 crianças que ingressam na escola no Brasil, 90 concluem os anos iniciais do ensino fundamental, 76 concluem os anos finais e apenas 64 concluem o ensino médio. Desses 64, menos de 1/3 tem aprendizagem adequada em português e míseros 9% têm aprendizagem adequada em matemática”.

O banco mostra que o índice de capital humano (ICH), que “mede o capital humano que podemos esperar que uma criança nascida hoje adquira até os 18 anos de idade”, está 2 pontos porcentuais acima da média global, mas “abaixo do esperado para nosso nível de renda e esconde uma realidade cruel”. A economista conclui que o governo precisaria incluir o problema na pauta das reformas, como a administrativa, posto que “não podemos mais continuar condenando gerações de crianças e jovens ao subemprego, à dependência (também, mas não só financeira), ao desengajamento e à falta de renda, pois estamos mantendo a desigualdade social, enfraquecendo a cidadania, alimentando a criminalidade e comprometendo o nosso potencial econômico”.

Com metade da população sobrevivendo com R$ 413 por mês, o ministro Paulo Guedes acredita que é preciso educar os pobres. “Um menino, desde cedo, sabe que ele é um ser de responsabilidade quando tem de poupar. Os ricos capitalizam seus recursos. Os pobres consomem tudo”, disse ele em defesa do sistema de capitalização que hoje recebe críticas especialmente de chilenos que protestam nas ruas da capital do país andino contra o modelo.

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