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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Ou esse cidadão renuncia ou se faz o impeachment’, diz Lula

Alexandra Martins

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O ex-presidente Lula mudou o tom de seu discurso sobre o eventual afastamento do presidente Jair Bolsonaro. Se em ocasiões passadas o petista afirmava que era preciso respeitar o resultado de qualquer eleição democrática, em live transmitida na noite de quarta, 25, ao lado do ex-prefeito Fernando Haddad, Lula defendeu a renúncia do presidente ou seu impeachment. “Haddad, acho que nós estamos numa situação complicada, porque acho que o Bolsonaro não tem estatura psicológica para continuar governando o Brasil. Ou este cidadão renuncia ou se faz o impeachment dele, alguma coisa, porque não é possível que alguém seja tão irresponsável de brincar com a vida de milhões de pessoas como ele está brincando”, disse.

No final do vídeo de 42 minutos, Lula fez novamente outro apelo para que o Congresso Nacional, por meio das lideranças de partidos políticos, convoque o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para dar uma explicação sobre o comportamento do presidente. “Porque ou o presidente está errado ou ele (ministro) está errado. Chamar o presidente da Anvisa: ‘que história é essa do remédio que está sendo testado, que estaria salvando vida que disse o Bolsonaro? Que historia é essa? Aonde está sendo pesquisado, qual laboratório, ou será que nós seremos retransmissores das invenções do Trump?”, questionou.

Suas últimas palavras na transmissão reforçaram o apelo anterior. “Os partidos políticos, não apenas os partidos de esquerda, mas todos os partidos políticos do Congresso, aqueles que não são asseclas do Bolsonaro, (devem) começar a discutir muito seriamente o que vai acontecer com Bolsonaro”, conclui.

Rodrigo Maia, a quem cabe analisar pedidos de impeachment enquanto presidente da Câmara, já fez uma análise de que, talvez, o afastamento seja exatamente o que Bolsonaro queira. O deputado Marcelo Freixo também vai na mesma linha. “Se você pede o impeachment do Bolsonaro, neste momento, faz o jogo dele. Bolsonaro vai dizer que é a política que está querendo tirar ele de lá e levanta 30% da sociedade para brigar por ele. Tudo que quer e precisa é que deem sobrevida a ele”, afirmou o parlamentar ao UOL.

 

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