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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Pandemia aumenta dissidência na direita

Vera Magalhães

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A crise política decorrente das atitudes do governo Jair Bolsonaro em meio à crise da pandemia de novo coronavírus ampliou a dissidência na direita conservadora que apoiou a candidatura do hoje presidente em 2018.

Na terça-feira, o empresário Luciano Hang, das lojas Havan, entusiasta de primeira hora e ativo nas redes sociais em defesa do governo, que defendia até poucos dias antes da sua realização os atos do último dia 15, fez um duro post no Instagram cobrando “responsabilidade” das autoridades e medidas drásticas para proteger a economia em meio à epidemia.

Nesta quarta-feira foi a vez de o comunicador e humorista Danilo Gentili, um dos críticos mais ferrenhos ao PT nos governos Lula e Dilma Rousseff e que tinha bom trânsito no bolsonarismo até o início do mandato, quando chegou a entrevistar o presidente, fazer duros posts cobrando responsabilidade do assessor especial da Presidência Filipe G. Martins. Ele chamou o olavista de “psicopata”.

Martins publicou um longo fio em tom solene, como se fosse porta-voz do governo, listando medidas adotadas contra a pandemia. Mas no domingo, 15, postou “grande dia” depois das manifestações anti-Congresso e de Bolsonaro ir ao Planalto confraternizar com apoiadores mesmo com resultado do teste de covid-19 pendente.

A medição de redes sociais do Palácio detectou forte erosão do apoio a Bolsonaro. O panelaço de terça-feira em vários lugares do país pegou os estrategistas de surpresa. Nova manifestação está sendo organizada para esta quarta-feira, às 20h.