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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Pandemia pode prejudicar candidaturas de mulheres

Cassia Miranda

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A desigualdade de gênero é uma entre as tantas que têm sido escancaradas durante a pandemia do novo coronavírus. Em casa, além do trabalho remoto, mulheres ainda precisam dar conta do cuidado e auxílio aos filhos em homeschooling, e das atividades domésticas. A soma desses fatores faz com que especialistas apontem para o risco de que as eleições municipais deste ano tenham menos candidaturas femininas.

Mulheres com faixa pelas cotas femininas no plenário da Câmara dos Deputados. Foto: André Dusek/Estadão

Isso representaria uma queda na tendência verificada nos últimos dois pleitos municipais, quando houve aumento no número de mulheres postulantes a prefeito, vice e vereador. Em 2012, dos 479.547 nomes que disputaram a eleição, apenas 150.620 eram mulheres. Quatro anos depois, houve aumento no número de candidaturas: 496.887, das quais 158.450 eram mulheres, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“As mulheres estão sobrecarregadas com o trabalho, questões domésticas, homeschooling, com isso, acredito que a gente vai ter um impacto negativo em eventuais candidaturas femininas. Muitas mulheres que poderiam estar se candidatando vão ficar sufocadas nessa rotina de pandemia”, avalia o fundador do Ideia Big Data, Maurício Moura, que é PhD em Economia e Política do Setor Público.

A preocupação faz sentido. Pesquisa divulgada em maio pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que as mulheres foram mais afetadas do que homens na pandemia. O levantamento, feito a partir de questionário online com 40 mil pessoas, mostra que 26,4% das mulheres afirmam que o trabalho doméstico aumentou muito, porcentual mais de duas vezes maior que o dos homens, 13,1%, por exemplo.

“A dupla jornada está pegando muito pesado com as mulheres. Isso tem um reflexo social e como reflexo social, atrapalha o processo eleitoral”, aponta a professora de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Luciana Veiga.

No Brasil, em 2016, as mulheres representavam 52% do total de eleitores. A porcentagem, no entanto, não se reverteu em representatividade de candidatas nos municípios. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas 32% de todas as candidaturas foram femininas.

 

 

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