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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para 41%, militares deveriam deixar de apoiar Bolsonaro

Vera Magalhães

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Pesquisa exclusiva feita pelo Ideia Big Data para o BRPolítico aponta que 47% dos brasileiros não acreditam que os militares, grupo importante no governo Jair Bolsonaro, apoiariam qualquer gesto ou ato do presidente que colocasse em risco a democracia. Outros 26%, no entanto, avaliam que o apoio dos militares a Bolsonaro é total e incondicional. A pergunta fazia menção ao fato de Bolsonaro ter participado, no último dia 3, de atos que pregavam o fechamento do Congresso e do STF e intervenção militar, e ter declarado que não admitiria mais “interferência” dos demais Poderes em seu governo, para o que disse contar com aval dos militares.

No início da semana, as Forças Armadas divulgaram nota oficial reforçando seu compromisso inequívoco com a democracia, mas sem refutar as declarações do presidente.

Entre as várias frentes de crises no governo, uma ameaçou atingir os militares. Bolsonaro ensaiou trocar o comandante do Exército, Edson Pujol, contrariado pelo fato de o general ter dado seguidas declarações reconhecendo a gravidade da pandemia do novo coronavírus.

O presidente chegou a cogitar nomear o atual ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para o comando do Exército, o que provocaria uma grave crise na Força, uma vez que o vaivém de generais da ativa entre cargos de comando na hierarquia e outros de provimento político não é visto com bons olhos.

Na formação do governo, os generais chegaram a pedir explicitamente a Bolsonaro que, uma vez designados para postos no governo, os generais passassem depois à reserva.

Para conter o mal estar, o general Ramos usou o Twitter para chamar a possibilidade de troca de “ilação”, mas ela é confirmada por auxiliares do presidente em caráter reservado. O presidente mais de uma vez se queixou do fato de Pujou o “peitar”.

Diante das investidas políticas de Bolsonaro, o apoio dos militares se torna uma variável mais delicada. Escrevi sobre o papel da ala militar na minha coluna deste domingo no Estadão: de conselheiros com ascendência sobre Bolsonaro os generais hoje agem com condescendência diante tanto do negacionismo do presidente diante da emergência de saúde público como de suas tentativas de intervir em órgãos de Estado, como a Polícia Federal, ou suas controvérsias com outros Poderes.

Na pesquisa do Ideia Big Data, o desgaste de Bolsonaro fica evidente: 41% defendem que os militares deixem de apoiar o presidente, contra apenas 32% que opinam que eles devem se manter no governo. Outros 27% não opinaram nesta questão.

Esse desgaste é mais explícito entre os eleitores de alta renda e alta escolaridade. Entre os pesquisados com ensino superior, 51% defendem que os militares desembarquem da administração Bolsonaro. Mais da metade dos que recebem mais de 5 salários mínimos (50%) ou de 3 a 5 salários mínimos (53%) pensam da mesma forma.

O apoio do núcleo militar é percebido pela sociedade como vital para o governo por 55% dos ouvidos: para 32% ele é muito importante, enquanto outros 23% o classificam como importante. Apenas 15% avaliam que o aval das Forças Armadas é pouco ou nada importante, mesmo percentual dos que dizem que esse endosso é indiferente.