Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para 58%, trocas no Ministério da Saúde dificultam combate à pandemia

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

A troca dupla de ministros da Saúde em meio à crise do novo coronavírus é apontada como fator que dificulta o combate à pandemia por 58% da população, indica pesquisa do Ideia Big Data para o BRPolítico.

Em pouco mais de um mês, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich pediram demissão do cargo por não concordarem com a pressão do presidente Jair Bolsonaro pela mudança no protocolo de uso da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Para 21% dos entrevistados, a saída do último ministro dificulta pouco no combate à doença.

O pedido de demissão de Teich tem apoio de 61% dos entrevistados. Para 20% deles, o ex-ministro errou ao pedir para sair, porque o presidente tem direito de intervir. A interferência que o presidente buscava fazer na pasta ficou ainda mais clara após o Ministério da Saúde liberar o uso da cloroquina para pacientes com sintomas leves de covid-19, mesmo sem que haja comprovação científica da eficácia da droga.

O Ministério da Saúde segue sem um titular. Na última semana, o presidente Bolsonaro declarou que o general Eduardo Pazuello deve ficar “por muito tempo” na função de ministro-interino. Em sua gestão tapa-buraco, Pazuello tem acentuado o que já vinha ocorrendo desde a nomeação de Teich: a nomeação de militares para cargos importantes dentro da pasta da Saúde. Só na última semana, nove nomes vindos do Exército foram indicados. Nenhum deles com formação médica.

Para 34% dos brasileiros, a presença de militares no Ministério da Saúde é vista como negativa. Enquanto que para 28% é neutra, e positiva para 21% dos entrevistados. O Ideia aplicou 1.648 questionários nos dias 19 e 20 de maio, por meio de aplicativo mobile. Foram entrevistadas pessoas em todo o País. A margem de erro é de 4 pontos porcentuais.

A avaliação de que o desempenho do governo brasileiro frente à pandemia é regular é apontada por 32% dos entrevistados, para 21% é péssimo, ruim para 17%, bom para 15% e ótimo para 9%.

Mas, quando a pergunta é se a postura do presidente Jair Bolsonaro tem atrapalhado ou ajudado no combate ao novo coronavírus, 55% dos entrevistados dizem que sim. Outros 20% afirmam que não tem ajudado nem atrapalhado. Para 13%, a postura do chefe do Executivo tem ajudado no enfrentamento à pandemia.