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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para atingir PCdoB, Bolsonaro vai editar MP para carteirinha estudantil

Equipe BR Político

O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta terça-feira, 03, que assinará uma medida provisória para criar carteiras estudantis digitais. Ele indicou que a MP deve sair na sexta-feira, 06, e, segundo o presidente, vai prejudicar o PCdoB, partido de oposição ao governo e que tradicionalmente coordena a União Nacional dos Estudantes (UNE). “Vai faltar dinheiro para o PCdoB”, disse Bolsonaro, rindo, de acordo com o Broadcast Político.

Bandeira da UNE (União Nacional dos Estudantes) em protesto contra corte nas verbas feitas pelo governo Bolsonaro na Educação

Estudantes e professores protestam na Avenida Paulista contra corte nas verbas feitas pelo governo Bolsonaro na Educação. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Isso porque uma lei de 2013, que trata sobre os benefícios de meia-entrada concedidos a estudantes, garante que carteiras de identificação estudantil só podem ser emitidas pela UNE, pela União Nacional dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e pela Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). As entidades, atualmente, cobram uma taxa pela emissão do documento. “Vou facilitar a vida dos estudantes. Não vai mais ter que pagar para a UNE, que quem manda lá é o PCdoB”, afirmou o presidente.

A UNE representa os estudantes em todos os Estados do Brasil. Em maio, a entidade convocou as manifestações estudantis contra os cortes de orçamento na Educação, que reuniram milhares de pessoas em cerca de 250 cidades do País. Em resposta à MP, o presidente da UNE, Iago Montalvão, afirmou ao BRPolítico que a entidade considera a medida como uma tentativa de retaliação à UNE devido às mobilizações e oposição da entidade ao governo. “Nossas carteirinhas são o que financiam não só a UNE, a Ubes, a ANPG, mas também todos centros acadêmicos, diretórios acadêmicos, grêmios, que estão organizados nas universidades para realizar um grande número de atividades, como eventos, debates, passeatas. Essa medida afeta toda a capacidade de organização dessa rede do movimento estudantil”, disse Montalvão. O estudante ressalta, também, que a lei da meia-entrada, de 2013, foi aprovada após um amplo debate dos estudantes com parlamentares e com a sociedade civil. “(A MP) É inclusive um desrespeito a todo esse debate, a toda essa construção democrática que foi feita para a aprovação da legislação da meia-entrada”.

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