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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para CNT, queda do preço do petróleo não é garantia de vantagem para Transporte

Marcelo de Moraes

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Segundo análise feita pelo boletim Economia em Foco, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), podem ser “dúbios” os efeitos da oscilação da cotação internacional do petróleo para o setor de Transporte. No início da semana, o petróleo sofreu uma queda superior a 20%, como efeito da guerra em torno do preço da commodity envolvendo árabes e russos. O boletim cita que “uma análise estática levaria à conclusão de que o efeito será positivo, levando a uma redução de preços dos combustíveis, na mesma magnitude da queda do preço do petróleo”. Mas lembra que existem “ponderações” que devem ser levadas em conta antes dessa conclusão.

No início da semana, o petróleo sofreu uma queda superior a 20%

No início da semana, o petróleo sofreu uma queda superior a 20% Foto: Fabio Motta/Estadão

“A Petrobras, desde 2016, adota uma política de preços que tem como principal base a paridade com o mercado internacional. Assim, espera-se que a queda recente do preço do petróleo no mercado internacional levará a empresa a baixar o preço dos derivados. Contudo, deve-se considerar que esses efeitos positivos de redução do preço do barril de petróleo podem ser anulados pelo movimento de depreciação da moeda brasileira frente ao dólar percebida recentemente. Isso porque o preço do combustível no mercado é composto, entre outros, pelo preço do barril de petróleo e pela taxa de
câmbio”, explica o boletim da CNT.

“Considerando essas informações, se a forte queda da cotação internacional do petróleo não for significativamente afetada pela taxa de câmbio atual, desvalorizada, e se repassada ao preço final do combustível seria muito importante para o setor, que ainda não se recuperou das perdas acumuladas
desde 2014”, diz a análise.

“Contudo, a queda brusca e repentina do preço do óleo – somada à crise do coronavírus – gerou insegurança nos mercados a nível global, provocando queda no preço dos principais ativos e provável desaquecimento da economia no mundo todo, inclusive no Brasil”, ressalta o boletim.

“Nesse aspecto, dados mostram que o ciclo de atividade econômica do Brasil é bastante aderente ao ciclo de preços das commodities; portanto, um ciclo de forte queda desses preços tende a gerar efeitos recessivos para a economia brasileira, já fragilizada pela lenta recuperação econômica. Isso pode
ocorrer, por exemplo, via redução nas receitas de exportação, redução da liquidez internacional e aumento da aversão ao risco dos investidores externos, comprometendo o fluxo de capitais para o Brasil”, acrescenta a análise.

É essa dubiedade que não permite ainda a previsão de que a queda do preço do petróleo será necessariamente positiva para o setor de Transporte, como arremata a análise do boletim.

“Portanto, ainda que a variação do preço do petróleo proporcione um cenário com custos menores, os transportadores poderão enfrentar, nas próximas semanas (ou meses), um cenário com demanda reduzida, que aumenta o custo da ociosidade, o que é negativo para o setor”, diz o texto.

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