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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para educadora, promover cortes lineares é ‘nivelar por baixo’

Equipe BR Político

Na avaliação de Priscila Cruz, presidente da Todos pela Educação, os recentes atos contras os cortes feitos no MEC foram um marco para o País, pois o Brasil não tem o histórico de manifestações pela educação, e isso pode ter um peso simbólico para o governo do presidente Jair Bolsonaro. Além disso, a educadora aponta que é necessário desinflamar o discurso do governo para construir um ambiente de trabalho positivo e conseguir bons resultados na área. “Políticas públicas de cadeia longa de implementação – na União, nos Estados e municípios, com uma quantidade enorme de trabalhadores na ponta – começam no gabinete e não sobra nada no outro extremo. Porque o que mantém essa cadeia eficiente é a confiança que seus agentes têm nas lideranças públicas”, diz.

Em entrevista ao Estadão, Priscila analisa que, mesmo diante da situação fiscal do Brasil, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, poderia ter se empenhado para que o congelamento na pasta fosse menor, e poderia tê-los implementado de outra maneira. “Em momentos de corte, você não faz isso de maneira linear. É preciso tratar entidades, pessoas e instituições diferentes de formas diferentes, senão você nivela por baixo”, afirma. Ainda segundo sua avaliação, o essencial em uma política pública na área é que o Brasil adote uma postura de valorização do professor. “Entre todos os determinantes de qualidade, quando olhamos o que faz um aluno aprender, o professor é o maior deles. Se o governo e a população começam a dizer para o aluno filmar e denunciar o professor, essa confiança é quebrada. A aprendizagem acaba aí”.