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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para Marina, ‘negacionismo é política ambiental deliberada’

Equipe BR Político

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que voltou a participar do debate público na metade de 2019 no contexto da redução da fiscalização e de políticas ambientais no Brasil, afirmou não ver nenhuma perspectiva de melhora na área em 2020 em entrevista dada ao jornal O Globo nesta sexta-feira, 3. Ela pontuou que a MP da Regularização Fundiária, editada em 10 de dezembro pelo presidente Jair Bolsonaro, é o ponto inicial do ano na agenda ambiental. Como você leu no BRP, as regras da medida abrem brecha para grilagem. “Hoje premia-se a corrupção e o roubo de terras públicas na Amazônia com finalidade eleitoral”, afirmou a ex-ministra ao jornal.

Sobre a polêmica envolvendo os dados sobre o desmatamento da Amazônia divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em 2019, Marina destacou que a contestação dos dados divulgados pelo sempre ocorreu por alguns representantes do agronegócio. “A diferença é que eu defendi o Inpe, enquanto Bolsonaro o entregou às feras”, afirmou na entrevista. 

Ela defendeu também que a “agressão” a órgãos que trabalham com o meio ambiente influencia a ocorrência de tragédias como o rompimento da barragem em Brumadinho (MG) e o desastre do derramamento de óleo nas praias do Nordeste. “O negacionismo é uma ação política deliberada, que fornece uma justificativa para desmontar ou interromper as políticas que combatem as emissões de gases estufa em diversas atividades econômicas, sobretudo na indústria e no uso da terra”, afirmou.

Apesar disso, a líder do partido Rede Sustentabilidade afirmou que é possível uma coexistência do ambientalismo e do agronegócio. Cita como exemplo o período entre 2004 e 2012, quando houve redução do desmatamento e aumento da receita do agronegócio. “Ambos podem ser integrados e altamente rentáveis”, disse.

Marina esteve ativa e participou de protestos durante a Conferência do Clima da ONU (COP-25) contra o governo em dezembro. Ao BR Político, ela afirmou que o governo fez tudo para inviabilizar sua participação no Acordo de Paris, como você leu no relatório Fique de Olho. Sobre o evento, afirmou na entrevista que foi abordada por delegados de outros países “que não entendiam por que o Brasil se colocou em uma situação tão constrangedora ao pedir dinheiro na discussão que pretendia criar as regras do mercado internacional de carbono”.