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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para não dar ‘pretexto’ a Bolsonaro, partidos desencorajam atos

Vera Magalhães

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Os partidos de oposição resolveram recomendar a seus seguidores e simpatizantes que não promovam manifestações contra o governo, em favor da democracia ou contra o fascismo ou o racismo no domingo.

Dirigentes dessas siglas temem que apoiadores de Jair Bolsonaro promovam infiltrações nas manifestações para que haja confrontos, feridos, quebra-quebra e, assim, o presidente e seus aliados tenham um “pretexto” para pregar a necessidade de medidas extremas, como intervenção militar ou enquadramento de movimentos oposicionistas na Lei Antiterrorismo, como já foi proposto por deputados bolsonaristas.

Confronto entre Policiais Militares e manifestantes contra o governo de Jair Bolsonaro entraram na Av. Paulista, em São Paulo

Confronto entre Policiais Militares e manifestantes contra o governo de Jair Bolsonaro entraram na Av. Paulista, em São Paulo Foto: Taba Benedicto/Estadão

O PSB soltou nota dizendo ser perfeitamente legítimo e compreensível que diante da “escalada autoritária” de Bolsonaro e sua irresponsável condução da pandemia do novo coronavírus as pessoas queiram ir às ruas para protestar. Mas diz que é necessário “ponderar as consequências” de ir às ruas neste momento.

Uma delas é o risco de aumento da propagação do coronavírus, além da possibilidade de infiltração.

Outros partidos demonstram os mesmos temores e devem fazer postagens nas redes sociais ou divulgar notas desencorajando os atos. Foi vista com extrema desconfiança a declaração de Bolsonaro para que seus apoiadores não saiam às ruas no domingo. Pareceu a senha para que o presidente se dissocie de confrontos armados.

Além disso, pregações como as feitas pelo vice Hamilton Mourão em artigo e por deputados governistas nas redes sociais, a respeito de punição exemplar de opositores e da classificação de grupos antifascistas como terroristas — excluindo das mesmas recomendações os grupelhos bolsonaristas que promovem manifestações com mensagens golpistas há semanas — foram consideradas alarmantes pelos políticos de vários partidos.

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