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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Para proteger Flávio, Queiroz demitiu ex de miliciano

Equipe BR Político

Investigações do MPF indicam que o ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhava no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), demitiu a ex-mulher de um miliciano que trabalhava para o agora senador e atuou para evitar que o filho do presidente Jair Bolsonaro fosse atrelado ao criminoso, revelou o Globo nesta quinta-feira, 5.

Na mesma data em que estourou na imprensa que era alvo de uma investigação por movimentações milionárias reveladas pelo Estadão, Queiroz demitiu do gabinete de Flávio, via Whatsapp, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, ex-mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, o “Capitão Adriano”, chefe de uma quadrilha de milicianos da zona oeste. Quando a demissão da assessora foi feita, a investigação contra “Capitão Adriano” não era pública, e Queiroz já havia deixado, ao menos formalmente, o cargo no gabinete de Flávio.

Durante a conversa, Queiroz explicou que o motivo era o fato de que ele e Flávio eram alvo de uma investigação. Procurado pelo Globo, o ex-assessor, que foi localizado pela Veja em São Paulo, onde mora e faz tratamento médico, confirmou a conversa e disse, por meio de seus advogados, que “tais diálogos tinham como objetivo evitar que se pudesse criar qualquer suposição espúria de um vínculo entre ele e a milícia”.

O MPF acredita que os valores recebidos por Danielle na Assembleia eram, na prática, uma espécie de pensão alimentícia. Não há qualquer indício de que ela, de fato, tenha exercido as funções de assessora. Apesar de ter ficado mais de uma década lotada no gabinete de Flávio na Alerj, ela nunca teve crachá, assim, nunca registrou frequência. O salário dela era de R$ 6.490,35.

A defesa de Queiroz informou, por nota, que acredita que ele sofre perseguição e que “a senhora Danielle foi convidada por ele a participar do gabinete em razão do trabalho social relevante do qual participa”.