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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Sem paradinhas, ritmo de polêmicas diminuiu

Cassia Miranda

O que começou como uma parada para cumprimentar apoiadores, logo foi esticada pelo presidente Jair Bolsonaro para uma rápida conversa com a imprensa na portaria do Palácio da Alvorada. Como os cafés da manhã com jornalistas já haviam sido extintos, as paradinhas, que chegavam a durar até meia hora, logo pegaram e se tornaram um ritual matutino. Além de uma máquina de produzir polêmicas. Dentre os mais recentes, por exemplo, podemos citar a fala em relação às ONGs e aos incêndios na Amazônia, como você viu no BRP, e a comparação de que a reforma da Previdência é como uma “quimioterapia” para o País.

O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada, em Brasília. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Para o bem ou para o mal, as paradinhas se tornaram uma marca do governo. Nelas, Bolsonaro pautava os veículos e alimentava suas redes sociais – geralmente com ataques à imprensa. Mas era por meio delas que se extraia do presidente opiniões sobre temas de interesse público. A dose extra, que geralmente repercutia negativamente, ficava por conta do presidente.

Pois bem, fato é que, desde o início do mês, pouco antes de Bolsonaro ser internado para fazer um procedimento cirúrgico, as paradinhas matutinas não ocorreram mais. Se por um lado a imprensa ficou desguarnecida de falas oficiais do chefe do Executivo, por outro, o ritmo de produção caseira de polêmicas também diminuiu. Basta perceber que neste período, a única polêmica infrutífera vinda do governo foi criada por um agregado do Planalto: Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, quando foi ao Twitter dizer que a transformação democrática que o País “quer” não ocorrerá por vias democráticas” na velocidade que almejamos”.