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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Parcelamento do auxílio visa esticar dividendos políticos

Vera Magalhães

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O pagamento fracionado da segunda parcela adicional do auxílio emergencial de R$ 600 visa esticar os dividendos políticos da medida para o presidente Jair Bolsonaro, produzindo nos beneficiários a sensação de que, pelo fato de que estarão recebendo o dinheiro no último dia do mês, ele seria “válido” também para setembro.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Adriano Machado/Reuters

A ideia de dividir a segunda parcela foi para compensar o fato de que o governo desistiu de sua ideia inicial: conceder mais três parcelas de auxílio, mas com valores descrescentes, de R$ 500 em julho, R$ 400 em agosto e R$ 300 em setembro.

Como isso teria de passar pelo Congresso, e o governo tinha certeza que, uma vez lá, seriam transformadas em três parcelas de R$ 600 (o que elevaria o gasto adicional, que já será de mais de R$ 100 bilhões só com as duas parcelas), a equipe do ministro Paulo Guedes preferiu estender o auxílio por só dois meses, mas quebrando a última parcela (que, assim, ficou idêntica à parcela final calculada inicialmente).

O “truque” irritou congressistas como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que sentiram que levaram um “passa moleque” de Jair Bolsonaro e ficaram de fora da discussão sobre a necessidade de prorrogar o auxílio. Mas a voz corrente entre os parlamentares é que o governo dificilmente escapará de pagar o auxílio até o fim do ano, e que, se não tomar a iniciativa de mandar novo projeto ao Congresso, pode ser surpreendido por iniciativas nesse sentido vindas do próprio Legislativo.