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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Parlamentares acionam Aras contra Weintraub e general Heleno

Equipe BR Político

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Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Fabiano Contarato (Rede-ES) e os deputados Alessandro Molon (PSB- RJ) e Joenia Wapichana (Rede-RR) apresentaram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, representação contra o ministro da educação, Abraham Weintraub, por ofensas e ameaças contra pessoas, povos e instituições.

Para os parlamentares, em referência à reunião ministerial do dia 22 de abril, “a referida reunião apresenta um conjunto de ofensas e ameaças – expressas ou veladas -, em expressões indecorosas, grosseiras e constrangedoras, contra diferentes pessoas, povos e instituições”.

Na representação, os parlamentares caracterizam as trechos das falas de Weintraub como uma “clara destilação de ódio, em termos claros, enfáticos e chocantes, contra o povo indígena e o povo cigano”. Os congressistas solicitam ainda que o Ministério Público Federal apure se o ministro incorreu em crime de discriminação contra os povos indígenas, ferindo as diferenças culturais das diversas etnias.

Em outro trecho da representação, os parlamentares frisam a crítica feita por Weintraub a Brasília como “cancro de corrupção, de privilégio”, e ao dirigir-se ao Supremo Tribunal Federal com absoluto desrespeito à instituição, ao afirmar que: “Eu, por mim, botava esses vagabundos na cadeia. Começando no STF…”.

Para Randolfe, “não é demais lembrar que se trata de uma reunião oficial do Governo Federal, com a presença das mais importantes autoridades do Executivo Federal. Não só as palavras, mas o contexto e a entonação demonstram o desprezo profundo do Sr. Ministro da Educação tanto pelos povos ciganos e indígenas, como pelo Supremo Tribunal Federal e seus honrosos membros”.

Contra general Augusto Heleno

Em outra representação ao procurador-geral da República, Randolfe e os deputados Alessandro Molon (PSB -RJ) e André Peixoto (PDT-CE) questionam a nota à imprensa divulgada pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Nela, o ministro afirma que a apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro seria “interferência inadmissível” e que poderá ter “consequências imprevisíveis”.

Os parlamentares avaliam que “a resposta do Sr. Ministro Heleno transborda as balizas do ordenamento jurídico, na medida em que há verdadeira ameaça ao adequado funcionamento do órgão máximo de um poder constituído. Afinal, ninguém sabe o que esconde o termo ‘consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional’”.