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por Marcelo de Moraes

Pasternak sobre plano de vacinação: ‘Compatível com a OMS’

Equipe BR Político

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A pesquisadora do Instituto de Biociências da USP e presidente do Instituto Questão de Ciência, Natália Pasternak, concordou com os critérios do plano de vacinação contra a covid-19 do Ministério da Saúde, em entrevista a João Prata, do Estadão.

A pesquisadora Natália Pasternak. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

“É muito bom; deixaram o PNI (Programa Nacional de Imunizações), que é um órgão técnico, trabalhar. Foi montado um plano de vacinação compatível com as diretrizes internacionais, com a OMS (Organização Mundial da Saúde), dentro do que esperávamos: priorizando profissionais da saúde, idosos e idosos em casa de longa permanência. Gostei que foram honestos o suficiente para dizer que o processo de vacinação será feito ao longo de 2021 e que não terminará antes de dezembro. Deixa claro para todos que não vai sair a vacina e no dia seguinte todos serão vacinados.

Vale dizer que tem as quatro fases e depois tem o resto da população. A maior parte dos brasileiros está nesse resto. Eles (membros do ministério) também estão conscientes de que a vacina da AstraZeneca vai atrasar e, por isso, pretendem buscar outros acordos para suprir a demanda. E o acordo da Covax não foi supercomemorado pelos cientistas à toa. Dará para vacinar 20% da população, com cerca de 40 milhões de doses. Todos os países-membros terão esse direito de vacinar 20% da população. Quando todos tiverem recebido essa porcentagem, todos poderão comprar mais.

Não teve uma prioridade social, de início, teve prioridade étnica. Priorizaram indígena na primeira fase. Falam que vão avaliar questões regionais e que o plano pode ser modificado. Se tiver um Estado, um município ou um distrito de São Paulo com um pico de casos, imagino que o PNI vai priorizar.

Não vi no comunicado nenhuma menção à vacina da Coronavac. É estranho, porque é boa e promissora e o Butantã é um fornecedor de vacinas para o Ministério da Saúde. Sempre soubemos que nenhum país do mundo vai conseguir imunizar toda sua população com uma única vacina. Por isso, precisa haver outros acordos. E vai ser difícil, porque as vacinas que estão em vias de vacinação já estão em espera.

Por tudo isso, acredito que, com certeza, deve ter mudança. É um cronograma preliminar. À medida que as vacinas forem liberadas, esse cronograma precisa ser dinâmico, porque a gente ainda não sabe as vacinas que serão aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Pode ter vacina aprovada que funcionará melhor em jovem do que em idosos, por exemplo. E os idosos estão como prioridade, como devem estar mesmo. É um plano preliminar, que precisa ser dinâmico, adaptável.”

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