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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

PGR denuncia Witzel, Pastor Everaldo e outros dez por organização criminosa

Equipe BR Político

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O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi denunciado nesta segunda-feira, 14, pela Procuradoria-Geral da República por integrar uma organização criminosa que desviava recursos públicos. A nova denúncia feita pela subprocuradora-geral Lindôra Araújo acusa também a primeira-dama Helena Witzel, o presidente do PSC, Pastor Everaldo, e outras nove pessoas. A ação é a segunda movida contra o governador. A primeira denúncia, feita também pelo Ministério Público Federal, mirava a movimentação de cerca de R$ 554 mil em propinas pagas por empresários da área da saúde.

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel

O governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel Foto: Rogerio Santana/Governo RJ

De acordo com o novo depoimento do empresário Edson Torres, apontado como operador financeiro do grupo liderado pelo Pastor Everaldo, a candidatura de Wilson Witzel ao governo do Rio teria contado com a ajuda financeira de um grupo empresarial acusado de posteriormente aparelhar o estado e desviar cerca de R$ 50 milhões em propinas. O MPF ainda menciona que a organização teria iniciado as atividades em 2017, com a cooptação de Witzel ainda quando era juiz federal. Ele teria recebido quase R$ 1 milhão na ocasião e mais R$ 1,8 milhão do grupo até o fim do segundo turno da eleição de 2018.

Em resposta à nova denúncia, o governador afirmou que se trata de um “vazamento de processo sigiloso” para atingi-lo politicamente. “Reafirmo minha idoneidade e desafio quem quer que seja a comprovar um centavo que não esteja declarado no meu Imposto de Renda, fruto do meu trabalho e compatível com a minha realidade financeira. Todo o meu patrimônio se resume à minha casa, no Grajaú, não tendo qualquer sinal exterior de riqueza que minimamente possa corroborar essa mentira. O único dinheiro ilícito encontrado, até agora, estava com o ex-secretário Edmar Santos”, disse.

A denúncia é baseada em três operações que investigaram o desvio de recursos públicos em um esquema semelhante ao que ocorreu nas gestões de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão, ambos presos pela Lava Jato.

Mais cedo, a defesa de Witzel havia entrado com um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF) na tentativa de reconduzir-lo ao cargo. O governador é acusado de lotear recursos públicos para receber propinas, que eram lavadas por meio do escritório de advocacia da primeira-dama.

Segundo a subprocuradora, a organização era chefiada por Witzel e “lastreada em três principais pilares, liderados por Mário Peixoto; Pastor Everaldo, Edson Torres e Victor Hugo; José Carlos de Melo.”

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