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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Política antidroga sem ‘discussão ideológica’

Cassia Miranda

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), terá em sua mesa a oportunidade de se distanciar do governo federal – ainda mais – no que se refere à política de prevenção e combate ao uso de drogas. Essa é a avaliação do deputado Heni Ozi Cukier (Novo), autor do projeto de lei 783/2019, aprovado na quarta-feira, 18, pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

O deputado estadual Heni Ozi Cukier (Novo-SP) avalia política do governador, João Doria, em relação às drogas

O deputado estadual Heni Ozi Cukier (Novo-SP) avalia política do governador, João Doria, em relação às drogas. Foto: Reprodução/Twitter Heni Ozi Cukier

“Tenho conversado com o governador, que já lidou com esse tema quando foi prefeito de São Paulo, ele está enxergando alguns dos erros do governo federal. Essa uma chance para se posicionar de maneira mais distinta e mais séria, sem discussão ideológica, sobre o tema”, avalia Cukier ao BRPolítico. O principal objetivo da lei é que o problema seja tratado como uma política de Estado e não de governo. “É preciso que haja continuidade no combate e prevenção do uso de drogas”. Isso não só em São Paulo, ele alerta. “O crack, por exemplo, é um problema que afeta 97% dos municípios brasileiros”, destaca.

O deputado, que é cientista político e trabalhou diretamente com o tema enquanto secretário-adjunto de Segurança Urbana de São Paulo, usa sua experiência para afirmar que apenas com a “aquisição de autonomia” é que os usuários podem ser reinseridos na sociedade. E é aí que a política de governo se torna fundamental, pois é preciso empregar essas pessoas. O uso do dinheiro público, aliás, está diretamente ligado ao combate às drogas, ele lembra. “A OCDE já mostrou que a cada US$ 1 investido em prevenção ao uso de drogas, há uma economia de US$ 4 que seriam gastos com o tratamento dos dependentes”.

Segundo o deputado, foram bem sucedidas as experiências em países que empregaram uma “visão pragmática aliada de uma política integrada de combate”. Para isso, ele avalia, que “assistência e ordem” precisam andar juntas. “Só um dos lados não ajuda na situação”. A lei tem agora 15 dias para ser sancionada por Doria.

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