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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Política supera coronavírus nas redes sociais desde saída de Mandetta

Equipe BR Político

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Em plena ascendência da pandemia do coronavírus no Brasil, a usina de crises do governo conseguiu dominar os assuntos nas redes sociais e desviar o debate novamente para a política. De acordo com uma análise das menções e interações feita pela FGV, a partir de 16 de abril, dia em que o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta foi demitido do governo, o termo “governo” passou a superar os comentários e publicações no Twitter sobre coronavírus, tendência que não se reverteu nem um dia desde então. Em 24 de abril, dia da demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, ocorreu o pico das menções à administração pública, que ultrapassaram 6 milhões de publicações. A análise levou em conta as publicações até o dia 28 de abril.

Enquanto no Twitter a maioria das publicações na última semana foi formada por perfis não alinhados politicamente, no Whatsapp prepondera o compartilhamento de links sobre o caso de Adélio Bispo, lealdade ao presidente Jair Bolsonaro, denúncia a Flávio Bolsonaro, e, sobre o coronavírus, ataques a Mandetta e ao STF. Segundo a análise da FGV, os conteúdos mais compartilhados no WhatsApp refletem a “tentativa de restabelecimento da base do governo após o pedido de demissão de Moro.” A saída do ex-magistrado do governo, de acordo com a pesquisa, tem alimentado teorias sobre conspirações golpistas, que ganharam fôlego com os áudios do presidente do PTB, Roberto Jefferson, na rede social.

No Twitter, mesmo com o abalo previsto com a demissão de Moro, a base do governo permaneceu praticamente inalterada em volume de publicações.

Gráfico que mostra as menções a 'governo' e 'coronavírus' em abril

Gráfico que mostra as menções a ‘governo’ e ‘coronavírus’ em abril Foto: FGV DAPP