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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Pontes tenta justificar saída de coordenadora, mas não convence

Gustavo Zucchi

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O ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, tentou explicar nesta terça-feira, 14, os muitos questionamentos que a gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem sofrendo. Por exemplo, tentou justificar a exoneração de Lubia Vinhas, então coordenadora-geral de Observação da Terra, como um “descuido” por ter sido feito no momento errado, já que ela assumirá outra função dentro do órgão. Ela foi demitida três dias depois de novos dados sobre desmatamento demonstrarem um recorde no mês de junho.

O minsitro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, na coletiva desta terça

O minsitro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, na coletiva desta terça Foto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações

“Ela não foi demitida. Só que aconteceu no momento desses alertas. O pessoal achou que tinha uma coisa a ver com a outra. Não tem. Ela não foi demitida, continua no time. Nós ampliamos as funções do Inpe, ela vai assumir uma delas”, disse o ministro. “Talvez eu devesse ter olhado com mais cuidado, deixar mais para frente. Eu não prestei a atenção nesse item”, afirmou durante coletiva sobre as novidades no instituto.

Só que a tentativa de Pontes de “encerrar” a discussão não parece convencer os pesquisadores do Inpe. Ouvidos pelo BRP, eles afirmam que Lubia está sendo enviada para um cargo que ainda não foi criado. A própria pesquisadora afirmou para a TV Globo que soube da exoneração por meio do Diário Oficial da União e que não foi consultada antes. Alegam também que a função antes exercida por ela está sendo modificada contra a vontade da então coordenadora e de integrantes dos programas de monitoramento de diversos biomas. E sem as devidas recomendações no regimento interno do instituto.

Outro ponto que Pontes, junto do atual diretor do Inpe, Darcton Damião, tentaram explicar foi a acusação de uma “estrutura paralela” montada por Damião dentro do instituto. E que poderia beneficiá-lo na disputa pelo cargo de diretor. “A ‘estrutura paralela’ é uma visão superficial”, disse Damião, tentando explicar que apenas se reúne com futuros gestores que ainda não foram empossados. “Se você olhar os documentos, todos são pelas cadeiras anteriores. O que existe é que toda semana me reúno com os gestores das novas cadeiras para planejar e não improvisar quando a estrutura estiver aprovada”, afirmou.