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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Por que novo vírus na China afeta o mercado financeiro?

Equipe BR Político

O novo tipo de coronavírus que tem provocado infecções respiratórias e algumas mortes na China está afetando a operação de mercados financeiros e bolsas pelo mundo nos últimos dias. Na terça-feira, 21, as notícias sobre o vírus se sobrepuseram aos acontecimentos políticos para os mercados internacionais, que operaram com cautela – a maioria das bolsas europeias e a Ibovespa fecharam em queda por temores relacionados à doença no dia 21. 

Segundo a coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV EAESP, Claudia Yoshinaga, em um primeiro momento, as preocupações com a doença que já infectou 440 pessoas e causou 17 mortes, podem dar prejuízo aos setores de companhias aéreas e hotéis. “Pessoas vão desistir ou diminuir a frequência de viagens para a China. Isso pode ter um efeito direto na demanda de combustível. Com menos demanda, um dos efeitos possíveis é puxar o preço do petróleo para baixo”, afirmou ao BRP.

Um relatório divulgado nesta quarta-feira, 22, pelo Goldman Sachs projetou que a disseminação do vírus pode resultar em uma redução de US$ 3 no preço do barril do petróleo.

Os principais motivos para a intensidade das preocupações pelos mercados mundiais são:

Epidemia global

Uma possível epidemia global da doença é o principal motivo pelo qual os mercados trabalham sob cautela, de acordo com a pesquisadora. “A notícia de que esse vírus se transmite de maneira ‘eficiente’ entre humanos, dos primeiros casos de morte e agora de um caso de contaminação nos Estados Unidos começa a mostrar uma grande possibilidade da doença se espalhar globalmente”, afirmou

Fator China

De acordo com a economista, a descoberta do vírus e o início da epidemia na China acentuou a preocupação. “O país é um player global importantíssimo, tanto em termos de turismo, como de negócios. Há um fluxo muito grande de chineses indo para todos os lugares do mundo e de pessoas indo para lá.”

Memória da SARS

No final de 2002, uma epidemia parecida iniciada na China, causada também por um tipo do coronavírus, se espalhou por 19 países provocando a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e matou quase 800 pessoas. A memória do ocorrido, que afetou a economia global na ocasião, acentua a apreensão entre os mercados de que o evento possa se repetir.

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