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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Por que os navios parados em Paranaguá podem prejudicar o Brasil?

Equipe BR Político

A resposta é simples: só no primeiro semestre, o Irã representou o quarto maior superávit comercial do País, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Neste ano, o país persa também foi terceiro maior importador de carne do Brasil, se consideradas as compras feitas por via indireta. Ou seja, o imbróglio diplomático envolvendo os dois navios iranianos que estão parados, sem gasolina, no porto de Paranaguá (PR) há mais de 50 dias devido à ordem do governo federal de que a Petrobrás não abasteça as embarcações, pode comprometer ainda mais a nossa economia.

A estatal alega que os dois navios são alvo de sanções dos EUA contra o Irã, e por isso a decisão de não abastecê-lo, ainda que estejam ali por terem sido contratados por uma empresa brasileira, a Eleva Química Ltda., para trazer do Irã uma carga de ureia. A confusão, que foi judicializada e está no STF, levou o embaixador do Irã em Brasília, Seyed Ali Saghaeyan, a fazer duras declarações, ameaçando suspender as importações de produtos brasileiros se o problema dos navios não for solucionado, de acordo com o Valor. Neste caso, a ambição do presidente Jair Bolsonaro de tomar lado na briga entre Irã e EUA, para “se enturmar” com o presidente dos norte-americano, Donald Trump, desconsidera a importância do Irã para a economia brasileira. No entanto, segundo declaração do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, nesta quinta-feira, 25, a Petrobrás corre o risco de ser punida pelos EUA caso abasteça as embarcações. Ele disse, no entanto, que a decisão do presidente do Supremo, Dias Toffoli, deve ser seguida.