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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Prefeito diz que ‘tem policial por trás’ de área incendiada em Alter

Equipe BR Político

Nélio Aguiar (DEM), prefeito de Santarém, município onde fica Alter do Chão, enviou um áudio em 15 de setembro ao governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, em que afirma que a região atingida por um incêndio de grandes proporções na ocasião é “área de invasores” e que “tem policial por trás” da queimada na Área de Proteção Ambiental (APA) depois de discutir ações para combater o incêndio. No áudio, obtido pelo site Repórter Brasil e confirmado pelo governo do Estado, o prefeito pede o apoio da polícia militar e da companhia ambiental ao governador e afirma que o fogo seria motivado pelo interesse em lotear a região. Ontem, o Fantástico mostrou que as áreas queimadas foram cercadas com estrutura de metal e madeira e trancadas com cadeados, como se já tivessem proprietários.

Leia a íntegra do áudio:

“Governador, bom dia. A Semma (Secretária Municipal de Meio Ambiente) municipal já tá envolvida, mas essa área é uma área de invasores… (ininteligível) Tem policial por trás, o povo lá anda armado, o bombeiro só tá com a brigada, o bombeiro não tá indo lá, já falei pro coronel Tito que precisa ir o bombeiro e combater o fogo, logo, imediatamente, tá muito seco, muito sol e a Polícia Militar, a companhia ambiental, tem que ir junto, armada, para identificar esses criminosos, isso é gente tocando fogo para depois querer fazer loteamento, vender terreno, prender uns líderes desses, esses criminosos aí e acabar com essa situação, mas a gente precisa de apoio do Corpo de Bombeiros?”.

Alter do Chão, em Santarém, Pará Foto: Ricardo Moraes/Reuters

A região esteve em evidência com a prisão de quatro brigadistas de ONGs que desenvolvem atividades em Alter do Chão na terça-feira, 26, em uma operação da Polícia Civil que os acusa de queimar as áreas atingidas. Na quinta-feira, 28, os quatro foram soltos por decisão do juiz titular da 1ª Vara Criminal de Santarém (PA), Alexandre Rizzi, o mesmo que havia expedido o mandado de prisão preventiva. 

No domingo, 1, os quatro brigadistas afirmaram estar recebendo ameaças e disseram que o grupo não foi financiado pelo ator Leonardo Di Caprio, como havia afirmado o presidente Jair Bolsonaro. Na quinta-feira, 28, durante uma transmissão nas redes sociais e na sexta-feira, 29, a apoiadores e jornalistas, Bolsonaro acusou, sem apresentar provas, o ator de doar dinheiro a ONGs que teriam causado queimadas. “Tira foto, manda para ONG, a ONG divulga, entra em contato com o Leonardo DiCaprio e ele doa US$ 500 mil para essa ONG. Leonardo DiCaprio, você está colaborando com as queimadas na Amazônia”, afirmou o presidente em transmissão. “Agora, Leonardo Dicaprio é um cara legal, né? Dando dinheiro para tacar fogo na Amazônia”, disse, depois, em frente ao Palácio da Alvorada. “Quando eu falei que há suspeita de ONGs, o que a imprensa fez comigo?”.

O ator posteriormente divulgou um comunicado em que afirma não ter doado verba às ONGs em questão. “Embora valha a pena apoiar, certamente não financiamos as organizações que estão atualmente sob ataque. O futuro desses ecossistemas insubstituíveis está em jogo e tenho orgulho de fazer parte dos grupos que os protegem”, disse, de acordo com a BBC.