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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Presença do Aliança pelo Brasil nas eleições municipais ainda é dúvida

Cassia Miranda

A principal dificuldade que o Aliança pelo Brasil vem enfrentando no percurso para conseguir as 492 mil assinaturas que precisa para ser criado é a ação de partidos adversários, em especial o PSL. A tensão criada pela guerra civil estabelecida entre bolsonaristas e bivaristas tem impactado na construção do novo partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta pôr em pé.

O presidente Jair Bolsonaro participa do evento do Aliança pelo Brasil, em janeiro

O presidente Jair Bolsonaro participa do evento do Aliança pelo Brasil, em janeiro Foto: Gabriela Biló

A cúpula da legenda, inclusive, tem evitado divulgar o número de assinaturas já angariadas e põe em dúvida a presença do partido nas eleições de outubro. A justificativa é de que falar sobre isso causa “reação dos adversários” e atrapalha a caminhada do partido em busca de apoio. O Aliança prefere nem falar mais em “corrida contra o tempo” para conseguir as assinaturas antes até abril, prazo imposto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se o partido quiser concorrer nas eleições municipais deste ano.

O clima é de ceticismo sobre as chances de a legenda de Bolsonaro de fato disputar as eleições municipais. Recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou disse que é “melhor” que o partido do pai não concorra neste ano. O argumento, segundo ele, é evitar a correria que houve na formação da antiga casa do clã, o PSL. “Tivemos um mês para formar os quadros do PSL (em 2018). Então, não conseguimos ter nenhum tipo de filtro. Entrou uma grande variedade de pessoas e agora nem todas elas estão comprometidas com o projeto Jair Bolsonaro. Então, para evitar esse tipo de erro, que tenhamos quadros qualificados para debater, pessoas de mais confiança. Acredito que é melhor o Aliança não estar pronto para as eleições deste ano”, afirmou.

Vida passada

A experiência vivida pelos bolsonaristas no PSL está sempre no horizonte como exemplo a ser refutado pelo novo partido, apontam os integrantes. Vem daí a dita “despreocupação” com o término de prazo. A preocupação desta vez, dizem, é com a qualidade. “A gente quer fazer o trabalho direito. Se por um acaso ficar pronto antes, se nos tivermos todos os apoiamentos, aí nós vamos decidir aonde que seria interessante lançar um candidato”, afirma o secretário-geral do Aliança pelo Brasil, Admar Gonzaga. Ele diz que, por ora, o partido em criação não está em busca de possíveis candidatos. “Tá longe disso”, reforça.

Ao BRP, o advogado do presidente Bolsonaro reafirma que o prazo eleitoral não é uma expectativa do partido. “Nós não estamos nessa corrida”, diz. “A gente não quer falar muito porque da forma que as notícias são colocadas elas acabam causando reações nos adversários. A gente não quer dar prognósticos, não quer dar números de apoiadores já cadastrados porque isso só tem operado contra a nossa atuação”, afirma o advogado do presidente Bolsonaro. Em dois meses, no entanto, é possível perceber nítida diferença no discurso.

Em dezembro, logo que começou o mutirão em busca de assinaturas, o discurso de Admar se mostrava mais ambicioso. Ao BRP, ele disse: “Nós queremos, em pouquíssimos dias, ter as 500 mil assinaturas. Mas vamos prosseguir janeiro adentro. Queremos ver se a gente manda para os cartórios mais de 1 milhão de assinaturas em tempo recorde”, projetava.