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por Marcelo de Moraes

Presidente, antes de um ‘excelente 2022’, País precisa sobreviver a 2021

Cassia Miranda

A poucos dias do fim do ano, o presidente Jair Bolsonaro encerrou uma entrevista ao filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) desejando um “excelente 22” a todos os brasileiros. Não há dúvidas de que o ocupante do Planalto só pensa na reeleição desde o primeiro dia de seu mandato. No entanto, o que Bolsonaro parece esquecer é que antes de chegar a 2022, ainda é preciso superar 2021.

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Youtube

“Vamos acreditar, o Brasil é um País maravilhoso. (Ano de) 22, né? Eu não estou dizendo que vou vir candidato, mas vou participar da política de 2022. Se vocês continuarem a acreditar em mim, pode ter certeza nós mudaremos o Brasil pelo voto. Pode ter certeza disso, tá ok?”, disse Bolsonaro, para logo em seguida concluir: “um abraço para todo mundo, bom Natal, bom fim de ano e um excelente 22 para todos nós.”

Bolsonaro até pode sonhar com uma ponte que o carregue direto para a campanha de 2022. Mas a realidade imposta é bem diferente. Há uma pedra – 2021 – no caminho.

O ano começará sem que o governo tenha determinado o início da vacinação contra a covid-19 no País e com o Plano Nacional de Imunização apresentado pelo Ministério da Saúde sob críticas. Somente na semana passada, por exemplo, a pasta abriu processo para compra de seringas e agulhas.

Além disso, as projeções dos especialistas não são nada animadoras para janeiro. Eles preveem que haverá explosão no número de casos como consequência das festas de fim de ano.

Vale lembrar que, na última semana, os governadores de 17 Estados já solicitaram a prorrogação por mais seis meses do estados de calamidade pública no País.

Com o fim do auxílio emergencial, 2021 começará ainda com mais de 60 milhões de pessoas em vulnerabilidade social sem o benefício, o que deve balançar a popularidade de presidente.

Na outra ponta, para o empresariado, o governo ainda não conseguiu apresentar as privatizações prometidas por Paulo Guedes (Economia) desde a campanha. A aproximação com o Centrão deve ser um percalço a mais nessa trajetória, já que o grupo preza os cargos que mantém nas diretorias de estatais.

A disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, com eleição marcada para fevereiro, tende a criar um ambiente difícil para aprovação de propostas importantes para a recuperação da economia e também para a proteção social das pessoas mais vulneráveis aos efeitos da pandemia.

Falando em economia, há ainda o aumento da inflação e a expectativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) encolha em torno de 4,5% e que a economia cresça entre  3,5% e 4% no próximo ano.

Antes, de um “excelente 22”, presidente, precisaremos é de sorte em 2021. Mas mais do que isso, de um presidente que trabalhe mais do que faça campanha.

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