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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Presidente apela a empresários para ‘jogar pesado’ contra Doria

Equipe BR Político

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Já que não pode intervir na autonomia de Estados e municípios, o presidente Jair Bolsonaro recorreu a empresários nesta quinta, 14, para que cobrem do governador João Doria (PSDB-SP) a reabertura da economia porque, na opinião dele, “o que parece que está acontecendo parece uma questão política, tentando quebrar a economia para atingir o governo”. O Estado de São Paulo registra 4.315 mortes pelo novo coronavírus e 54.296 casos confirmados de covid-19, sendo o epicentro da pandemia no País.

O presidente Jair Bolsonaro durante teleconferência com empresários nesta quinta

O presidente Jair Bolsonaro durante teleconferência com empresários nesta quinta Foto: Marcos Corrêa/PR

“Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, o futuro da economia do Brasil. Os senhores, com todo o respeito, tem que chamar o governador e jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra. É o Brasil que está em jogo, se continuar o empobrecimento da população daqui a poucos seremos iguais na miséria”, disse Bolsonaro em videoconferência da Fiesp com empresários. No mesmo encontro, o chefe do Planalto também incluiu Rodrigo Maia entre os que, segundo ele, querem “afundar a economia para ferrar o governo”.

O desespero do presidente com os rumos da economia foi esboçado primeiramente logo pela manhã, na porta do Palácio da Alvorada, onde repetiu que o Brasil vai “quebrar” e “nós vamos morrer de fome”. “O apelo que eu faço aos governadores: revejam essa política, estou pronto para conversar. Vamos preservar vidas? Vamos. Mas dessa forma, o preço lá na frente vai ser de centenas de mais vidas que vão perder por causa dessas medidas absurdas de fechar tudo”, afirmou à imprensa.

Numa espécie de chantagem, na videoconferência, adiantou que as Forças Armadas não terão como acudir locais onde porventura haja convulsão social por meio de saques. “Lá na frente, eu tenho falado até com o ministro Fernando (Azevedo), da Defesa, os problemas vão começar a acontecer, de caos, saques de supermercado, desobediência civil. Não adianta querer convocar as Forças Armadas que não vamos ter gente para tanta GLO. Não existe gente para tanta GLO. E o povo vai estar na rua, em grande parte, por estar passando fome. E homem com fome não tem razão, ele perde a razão”, disse.

E, mais uma vez, quis mostrar quem manda após decretar serviços estéticos como essenciais nesta pandemia. “Tem governador falando que não vai cumprir. Eles estão partindo para a desobediência civil. Se alguém não concorda com um decreto meu, tem dois caminhos: um projeto de decreto legislativo no Congresso, para tornar sem efeito o meu decreto, ou ação na Justiça, e não (apenas) ‘não vão cumprir'”, zangou.

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