por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Apagão de investimentos pode quebrar sistema de C&T’

Equipe BR Político

Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o físico Luiz Davidovich afirmou que há um êxodo cada vez maior de cientistas e pesquisadores do Brasil, como consequência direta do menor repasse de verbas às universidades federais. Essa queda, segundo Davidovich, ocorre todos os anos desde 2010. No entanto, a magnitude dos cortes orçamentários na área promovidos neste ano surpreendeu o presidente da ABC, que fala em uma “total ausência de agenda para o desenvolvimento científico” por parte do atual governo. Segundo o físico, os cientistas não deixam o País para obter maiores salários, e sim para conseguir dar continuidade às suas pesquisas. “A fuga de cérebros é muito concreta e dolorosa para mim. O apagão de investimentos pode quebrar o sistema de Ciência e Tecnologia. Tudo que temos hoje começou a ser institucionalizado na década de 1950, mas vem de antes. A construção é um processo longo, mas a destruição pode ser muito rápida, menos de uma década”, disse, em entrevista ao Valor.

A respeito do programa Future-se, lançado pelo MEC em julho para atrair investimentos privados para as federais, o pesquisador disse ser favorável a algumas propostas do projeto, como a desvinculação de verbas privadas do orçamento e previsão de incentivos fiscais para quem investir. Davidovich, no entanto, afirma que o Future-se só funcionará se a União restabelecer os repasses às federais. Em sua visão, é necessário que as universidades primeiro se modernizem via recurso público para depois estabelecerem parcerias com empresas privadas. “A maior parte do orçamento universitário sempre virá do governo, como acontece no mundo todo. O ministro (Abraham Weintraub, do MEC) precisa de um choque de realidade”, afirmou.