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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Presidente diz que Brasil é ‘vítima’ de campanha de ‘desinformação’

Cassia Miranda

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Em seu discurso na abertura da 75ª Assembleia-Geral da ONU, o presidente Jair Bolsonaro dedicou a maior parte dos seus 15 minutos para falar sobre a política ambiental do Brasil, assim como fez no ano passado. Ao citar o aumento dos focos de incêndio que atingem o Pantanal e a Amazônia, o presidente afirmou que mantém sua “política de tolerância zero com o crime ambiental” e afirmou que o País é “vítima” de “brutal” campanha de “desinformação”. Este ano, pela primeira vez, o encontro ocorre virtualmente em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

Presidente Jair Bolsonaro em discurso na 75ª Assembleia-Geral da ONU. Foto: Reprodução

Em tom mais moderado do que o do ano passado, Bolsonaro abriu seu discurso dizendo que o mundo “necessita de verdade para superar seus desafios”. O que veio na sequência, no entanto, foram acusações sem prova, como a de que indígenas são responsáveis pelos incêndios florestais que atingem o País e que a Venezuela é a culpada pelo derramamento de óleo que atingiu o litoral brasileiro em 2019.

Após lamentar “cada morte ocorrida” em decorrência da pandemia do novo coronavírus, o mandatário aproveitou a oportunidade para repetir alguns de seus principais discursos internos. A começar pela tentativa de se eximir da responsabilidade pelas ações de combate à pandemia, afirmando que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que essa é uma obrigação de governadores e prefeitos, seguindo pela crítica ao isolamento social.

Ao citar medidas de enfrentamento à crise, como o pagamento do auxílio emergencial e o socorro às pequenas e micro empresas, Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro agiu de “forma arrojada” para evitar o que chamou de “mal maior”.

Meio ambiente

O presidente brasileiro afirmou que mesmo diante da crise causada pelo novo coronavírus, o agronegócio “continua pujante, seguindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta”, apesar, segundo ele, da “campanha internacional escorada em interesses escusos” junto a “associações impatrióticas”.

Ao falar sobre os incêndios que atingem o Pantanal e a Amazônia, Bolsonaro afirmou que as queimadas ocorrem em áreas onde “caboclo e índio” queimam por “sobrevivência. Além disso, ele também atribuiu o aumento dos focos de incêndio às altas temperaturas e ao acúmulo de massa orgânica em decomposição.

“Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”, afirmou.

“Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental”, disse o presidente ao público internacional.

 

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