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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Presidente insatisfeito com a Receita

Equipe BR Político

Por conta da insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com a Receita Federal (RF), o órgão dá sinais de que pode ser o próximo núcleo do governo a ter uma crise para chamar de sua. E ela pode levar, inclusive, à saída de Marcos Cintra do comando da instituição. Na quarta-feira, 14, Bolsonaro afirmou que a RF fez uma “devassa” na vida financeira de seus familiares que vivem no Vale da Ribeira (SP). “Foi feita uma devassa. No ano passado, quase todo dia a Receita entrava na minha vida financeira para saber se tinha alguma coisa esquisita ali para tentar me derrubar na campanha, não acharam nada, e não vão achar mesmo. E estão fazendo com a minha família… Não é de hoje nessas questões aí”, afirmou Bolsonaro.

Depois da declaração do presidente, que agravou a tempestade que já estava instalada na instituição depois de o TCU mandar a RF prestar contas sobre acessos a dados fiscais de integrantes dos Três Poderes e seus cônjuges, o apoio ao secretário da Receita, Marcos Cintra, encolheu rapidamente, segundo o Painel da Folha. Integrantes do governo dizem que “falta comando” ao Fisco e apostam que uma mudança na cúpula deve acompanhar a reestruturação da pasta. Cintra é visto como um nome técnico com um pé na política. Sua indicação para o cargo teve o apoio do presidente do PSL, Luciano Bivar (PE). Ainda assim, a queda dele é tratada como questão de tempo. Pessoas próximas ao ministro da Economia, Paulo Guedes, dizem que ele decidiu reformular a Receita para ganhar tempo diante de pedidos por cabeças na cúpula do órgão, o que deixa a situação de Cintra ainda mais complicada. Apesar disso, nesta quinta-feira, 15, Bolsonaro disse que o secretário segue no cargo. “O Cintra por enquanto está muito bem. Só não está em Brasília nesta semana porque fez uma cirurgia não sei do que em São Paulo”, disse. Indagado sobre ter usado o termo “por enquanto”, Bolsonaro reafirmou que o secretário segue no cargo.