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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Pressão sobre Guedes por política industrial

Vera Magalhães

Mais cedo desta vez começa o movimento visto em 2019: o ano começou com grande euforia do mercado quanto às projeções de crescimento no Brasil, mas elas começam a ser adaptadas à realidade.

O surto de coronavírus é a principal razão para o balde de água fria, além dos números bastante modestos da atividade econômica no fim de 2019, mostrando que ela não ganhou o embalo esperado para ter uma performance acima dos 2,6% como se especulava.

Economistas ouvidos pela Folha nesta quarta-feira começam a refazer os cálculos. A reportagem mostra que o realismo, que vem inclusive do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforça a margem para nova redução da taxa de juros básica da economia, a Selic, de 4,5% ao ano para 4% na reunião desta semana do Copom.

Os números decepcionantes da indústria devem ampliar a pressão sobre a equipe econômica pela adoção de mecanismos de política industrial, algo muito praticado nos governos do PT e que contraria a cartilha de Paulo Guedes. Outro fator que vai pesar para esse lobby é a recente, porém entusiasmada, aliança de Jair Bolsonaro com a Fiesp de Paulo Skaf.

Esse tipo de pressão tende a atravessar a discussão de temas como a reforma tributária, que já está contaminada pelas diferentes visões do sistema tributário ideal por parte de diferentes setores da economia. Um embate dessa natureza atrapalha ainda mais a já complexa costura para se votar a reforma ainda neste semestre — o único de fato “útil” no Congresso em 2019.