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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Procurador pede quebra de sigilo bancário de Salles

Equipe BR Político

O procurador de Justiça de São Paulo Ricardo Dias Leme deu parecer favorável à quebra de sigilo bancário e fiscal do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por suspeita de enriquecimento ilícito. O procurador classifica como “curioso” que o ministro tenha tido uma variação patrimonial de 604% entre 2012 e 2018, como informa o Estadão.

O pedido para quebrar o sigilo fiscal do titular da pasta havia sido feito em primeira instância pelo Ministério Público Estadual, e foi rejeitado. A promotoria do MP recorreu, então, ao Tribunal de Justiça, onde a Procuradoria-Geral de Justiça avalia o recurso. No parecer de Dias Leme, o procurador questiona a rejeição ao pedido de primeira instância e ressalta que Salles “ostenta condenação por improbidade administrativa”, referindo-se a uma sentença contra Salles relativa à época em que era secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

“É no mínimo curioso que alguém que recebeu a média de R$ 1.500,00 de rendimentos mensais da advocacia em 2013, antes de assumir o cargo de Secretário Particular do Governador, que não possuía rendimentos superiores a cerca de R$ 12.445,00, líquidos em agosto de 2014, possa ter tido uma variação patrimonial de 604% entre 2012 e meados de 2018, tendo passado 13 meses e meio (16/07/2016 a 30/08/2017) exercendo cargo público no qual recebia uma remuneração média de R$18.413,42 e estava impedido de advogar”, diz o parecer.

Em resposta, Salles diz que as afirmações do procurador são “alegações absurdas, que destoam, inclusive, do que já consta do próprio inquérito”. Sobre a acusação de improbidade administrativa citada no parecer, ele ressalta que trata-se de uma decisão de primeira instância, na qual ainda cabe recurso.