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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Procuradores se rebelam contra silêncio de Aras

Vera Magalhães

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Procuradores da República usaram as redes sociais para, num ato de rebelião contra o silêncio do procurador-geral da República, Augusto Aras, repudiar a decisão de Dias Toffoli de requerer à Unidade de Inteligência Financeira e à Receita Federal dados de todos os procedimentos de investigação abertos nos últimos três anos, contra milhares de pessoas físicas e jurídicas.

“Devassa geral na República: Receita Federal prepara envio de seis mil relatórios a Toffoli. Dados de contribuintes também ficarão sob controle do ministro, que poderá saber tudo sobre todos”, respondeu Vladimir Aras, que é primo do PGR.

“Absurdo adquire naturalidade. Isso é a cara do Brasil”, postou o procurador da República junto ao TCU Júlio Marcelo de Oliveira, um dos signatários do parecer que levou à condenação de Dilma Rousseff no caso das pedaladas fiscais. “É espantoso o que está ocorrendo no país. Será que uma espécie de central de inteligência ou delegacia de polícia estaria em ação no STF? Nossa democracia está sendo ferida e ameaçada pelo Estado de Exceção judicial. Os Senadores e demais Ministros do STF precisam corrigir isso”, escreveu.

Luisa Freichesen, que figurou na lista tríplice para a PGR, mas foi preterida por Jair Bolsonaro em favor de Aras, fez várias postagens criticando a decisão de Toffoli.

“NOVO PROCESSO PENAL: hoje aprendemos que Juiz pode investigar; conduzir investigações, sem participação do Ministério Público ou da Polícia”, postou a procuradora Thaméa Danelon, que também questionou o fato de as pessoas cujos dados foram solicitados pelo presidente do STF não terem foro na Corte.