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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Procuradoria diz que porteiro mentiu ao citar Bolsonaro no caso Marielle

Equipe BR Político

A procuradora do Ministério Público Simone Sibilio, chefe do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), afirmou nesta tarde de quarta, 30, que o porteiro que citou o presidente Jair Bolsonaro nas investigações do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes mentiu. Segundo ela, quem autorizou a entrada do acusado de dirigir o carro do assassino da ex-parlamentar, Élcio Queiroz, no condomínio onde mora Bolsonaro, foi Ronnie Lessa, não o seu Jair, conforme afirmara o porteiro à Polícia Civil.

No depoimento revelado pelo Jornal Nacional na terça-feira, 29, o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava Lessa, afirmou à Polícia Civil que um homem chamado Élcio entrou no local dizendo que iria à casa 58, onde mora Bolsonaro. Segundo o porteiro, quem teria atendido o interfone foi “seu Jair”, que teria autorizado a entrada. Registros da Câmara dos Deputados, no entanto, mostram que Jair Bolsonaro estava em Brasília nesse dia.

“(O porteiro) mentiu. Pode ser por vários motivos. E esses motivos serão apurados. O fato é que as ligações comprovam que quem autorizou foi Ronnie Lessa”, afirmou Simone.

Não se trata da primeira “mentira” de depoentes do caso Marielle. Rodrigo Jorge Ferreira, um sargento da PM que afirmara que os autores do assassinato da ex-vereadora e do motorista seriam o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e Orlando Oliveira da Silva, mentiu, segundo a própria advogada de defesa do sargento. A “mentira” desmontou a principal linha de investigação do caso, defendida pelo delegado Giniton Lages, ex-Delegacia de Homicídios, que foi afastado do caso.

Hoje, os investigadores apontam Lessa como o autor dos 13 tiros que mataram Marielle, e o ex-PM, expulso da corporação, Élcio Queiroz, o motorista do carro que perseguiu a ex-parlamentar.