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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Projeto de Doria atrai PT e afasta o Novo na Alesp

Equipe BR Político

O InvestAuto, projeto do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), para atrair investimentos de empresas automobilísticas gerou uma movimentação, no mínimo, curiosa na Alesp: apoiando o projeto do governo, está o PT. A oposição ficará a cargo do PSOL, mas também do partido Novo. O projeto será votado no fim do dia, nesta quarta-feira, 2. Em linhas gerais, o InvestAuto busca atrair companhias do setor para São Paulo por meio da concessão de descontos progressivos no ICMS – quanto mais a empresa investir, mais desconto recebe. A expectativa é de que seja aprovado.

O InvestAuto prevê que as empresas terão um abatimento de 2,5% do ICMS a cada bilhão que investirem no Estado. A alíquota máxima de desconto é 25%. Mas, para isso, as montadoras terão de atender também outros critérios, como a criação de, no mínimo, 400 novos postos de trabalho e a elaboração de uma nova planta de carro a ser desenvolvida em SP. O PT vê a proposta como uma forma de gerar empregos, sobretudo entre os metalúrgicos na região do ABC. O PSOL critica o que classifica de subsídio com dinheiro público. Já o Novo fala em possíveis distorções de mercado que possam ser geradas ao conceder incentivo a um único setor.

A líder do PSDB na Alesp, deputada Carla Morando, afirma que o projeto criará postos de trabalho sem gerar perda de arrecadação. Ela diz que o desconto do ICMS seria aplicado, na verdade, sobre a nova planta de carro que as companhias teriam que desenvolver. “Não é um programa que faz um incentivo e diminui a arrecadação, porque a arrecadação que já existe, continua. O que ele vai fazer é um implemento dessa arrecadação e nesse sim, a partir dessas regras, dar um incentivo”, diz ao BRP.

A deputada se diz surpresa com a reação do Novo. “Foi algo inesperado. Na verdade, eu acho que é bem pontual. Normalmente, o Novo está mais ou menos de acordo com o que o governador vem fazendo. Pontualmente, nesse projeto, eles não entenderam a capacidade de geração de emprego e de movimentação na nossa economia”.

O deputado Carlão Pignatari (PSDB), líder do governo de Doria na Alesp, já havia subido o tom contra o Novo e dito que o partido não apoia o projeto porque é o “partido da elite brasileira”. O líder da sigla na Alesp, Heni Ozi Cukier (Novo), rebate: “Não tem nada mais de elite do que você direcionar o dinheiro público para poucos ou para um setor, ao invés de você querer que ele seja usado em bens públicos que beneficiem a cadeia inteira produtiva, que é o que o Novo quer”. Ele reafirma ao BRP que os quatro deputados do partido na Alesp irão votar contra a proposta do governador.

 

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