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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Proposta orçamentária mostra abandono da agenda modernizadora’

Equipe BR Político

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O Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), enviado pelo governo ao Congresso na última segunda-feira, 31, mostraria um “pessimismo” do Planalto ante as propostas de reforma. Em especial os dois carros-chefe atuais da equipe econômica: a reforma administrativa e a tributária. Segundo o cientista político e presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), Luiz Felipe d’Ávila, a previsão de déficit até 2027 mostra um “abandono” na agenda reformista que é alardeada por Paulo Guedes e seu time no Ministério da Economia.

“Essa proposta mostra o abandono da agenda modernizadora do Estado brasileiro. Se o governo acreditasse que aprovaria a reforma tributária e a reforma administrativa ele não estaria projetando um déficit de 13 anos, pelo contrário”, afirma d’Ávila.

“Um estudo do economista Bráulio Borges, do Ibre-FGV, mostra que se aprovar a PEC 45 (reforma tributária), o déficit público que deve chegar a 100% do PIB cairia para 30% do PIB até 2036. Traduzindo estes números para a realidade do brasileiro, significa que Bolsonaro está acreditando em déficit crescente e isso vai inviabilizar o investimento público e fazer com que o crescimento continue baixo e o desemprego alto até pelo menos 2022.”

Na última terça-feira, 1, o governo prometeu mais uma vez enviar até o final da semana o projeto de reforma administrativa. No início de agosto, ao entregar a primeira parte de sua proposta de reforma tributária, Paulo Guedes disse que enviaria mais três partes até o fim do mês, algo que não aconteceu.